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História da APDP

Fundador

Fundador - Ernesto Roma

Fundador APDP - Ernesto Roma

Nascido em 1886, educado no Colégio Militar que lhe deixou uma "marca" perpétua, licenciou-se em Medicina na Escola Médica de Lisboa com 19 valores.   Jovem médico visitou em Paris a Clínica de Dieulafoy, um dos mais distintos e famosos médicos do tempo. Em 1921 "descobriu a América", como ele próprio dizia.  Em 1922 estava em Boston estagiando no "Mass General" ("Massachussetts General Hospital"), e lá testemunhou a "revolução da insulina" então introduzida na clínica e visitou a mais famosa e importante clínica diabetológica do Mundo – a Clínica Joslin – para onde os descobridores da insulina (Banting e Best, McLeod e Collip) tinham enviado os primeiros frascos do produto.  Assistiu, pois, aos "primeiros milagres" desta hormona, salvando a vida e restituindo a saúde às crianças com Diabetes até então condenadas a uma inevitável morte a curto prazo. De volta para Portugal, foi logo reconhecido e consagrado como diabetologista e para o seu consultório convergiram as pessoas com Diabetes a quem ele instituía a insulinoterapia.  Em 1926, frustrado pelo escândalo das mortes das pessoas pobres com Diaebetes que, sem qualquer assistência pública, não tinham meios de adquirir a insulina, ele mobilizou as pessoas da burguesia com Diabetes, seus doentes e amigos e criou a "Associação Protectora dos Diabéticos Pobres", (hoje a "APDP", Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal)". Foi a mais antiga de todas as Associações de Diabéticos, do mundo.

Na APDP, logo iniciou a Educação da pessoa com Diabetes, sempre importante e, agora, com a insulina, imperativamente indispensável para o própria pessoa com Diabetes se auto-injectar e auto-vigiar e cumprir uma adequada dieta. Assim, "devolveu" à Europa esta Educação cá começada em meados do século XIX por Bouchardat e, depois, cá "meio esquecida" mas bem continuada na América, em Boston, por Elliot Joslin, na sua famosa clínica.

Adaptando a Clínica Diabetológica às condições dos pobres em Portugal ele criou uma Escola original em que a insulina era prescrita não só nas crianças como também nos adultos em que a dieta associada à insulina já podia ser alargada, consentindo à pessoa com Diabetes comer de tudo o que a sua família comia – excluindo obviamente o açúcar – e limitando o cálculo da dieta apenas à ração hidrocarbonada e apenas em cálculo aproximado dando, por outro lado, para as rações gorda e proteica apenas os conselhos de "comer ou muito ou pouco…".

Na APDP, com Ernesto Roma, a pessoa com Diabetes já há setenta anos que era educado a autovigiar-se pela pesquisa da glicosúria e a tratar-se com uma dieta adequada ainda que simplificada, comendo os mesmos alimentos que a sua família, com a insulina cuja injecção sabia preparar, e tinha uma consulta de Quiropodia onde era ensinado a bem vigiar e cuidar dos seus pés evitando, assim, o risco da terrível gangrena.

Ernesto Roma, sozinho, estudou e habilitou-se em gastrotecnia, dietética e quiropodia e na APDP teve durante decénios a única Escola Diabetológica de Clínica Pedagógica do País.

Em 1979, já Roma falecido, Jean-Philippe Assal, diabetologista, ao iniciar o grupo de Estudo da Educação do Diabético da Sociedade Europeia para o Estudo da Diabetes ("Diabetes Education Study Group"), exigiu a participação da APDP na fundação da "DESG" por, conforme disse, "aproveitar as lições da experiência da APDP, que possuía, então, já mais de meio século de experiência ininterrupta em Educação do Diabético".

Roma é uma figura principal na História da Diabetologia, que todas as pessoas com Diabetes e seus médicos devem conhecer e, com gratidão, respeitar.

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