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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 52: Os meses de Verão assistiram ao
desenvolvimento e à expansão do vírus do momento, o da gripe A.
O País mostrou sinais de nervosismo, os portugueses começaram a temer o pior, uma nova epidemia mortífera, na senda das que os nossos antepassados
viveram noutros tempos, noutras realidades, noutros mundos.
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| Compensações |
Compensações
Compensação na diabetes Tipo 2
A diabetes é uma doença crónica que implica cuidados médicos constantes e um elevado nível educacional. Estes dois aspectos são fundamentais para uma boa compensação e, consequentemente, para a gestão da diabetes e prevenção das complicações agudas e tardias.
O primeiro objectivo no tratamento da pessoa com Diabetes é baixar a glicemia a níveis normais ou próximos, de forma a:
- Evitar situações de descompensação aguda (cetoacidose, hiperosmolaridade, hipoglicémia, etc.) cuja presença é acompanhada de uma elevada morbilidade;
- Permitir um bom estado geral sem sintomas inerentes à má compensação;
- Reduzir ou anular o risco de complicações tardias;
- Diminuir o risco aterogénico.
Para se atingir estes objectivos é necessário que a pessoa com Diabetes tenha uma boa "Educação", ou seja, que seja capaz de gerir correctamente o seu auto-controlo. Deve estar apto a:
- Saber realizar e interpretar o auto-controlo glicémico;
- Saber alimentar-se correctamente;
- Saber fazer exercício físico;
- Ter conhecimentos fundamentais sobre a terapêutica que faz (insulina ou medicação oral);
- Saber correlacionar o exercício físico com a alimentação e a terapêutica;
- Saber prevenir ou tratar uma hipoglicémia ou outras situações agudas;
- Ter sempre presentes os objectivos da compensação;
- Colaborar activamente na vigilância periódica.
Está hoje assente que um bom equilíbrio glicemico é uma medida fundamental para a prevenção das complicações microvasculares (retinopatia, nefropatia e neuropatia diabéticas) e também das macrovasculares da pessoa com Diabetes.
A compensação da diabetes, o rigoroso controlo da tensão arterial e dos lípidos reduzem significativamente as complicações microvasculares, os acidentes vasculares cerebrais, a cardiopatia isquémica e o enfarte de miocárdio, e em geral toda a mortalidade relacionada com a diabetes.
Os objectivos de compensação, em termos parâmetros analíticos, não são muito diferentes dos que abrangemos nas pessoas com Diabetes do tipo 1, isto é insulinodependentes, se excluirmos naturalmente as crianças e idosos portadores outras doença ou ainda condições consideradas especiais.
Assim, em circunstâncias normais, deve procurar-se atingir e manter valores de glicemia em jejum entre 80 e 140 mg%, pós-prandiais inferiores a 180 mg% e ao deitar valores inferiores a 160 mg%. A HbA1c deverá ser inferior a 7, com um máximo admissível de 7.5%.
Nos idosos, os objectivos diferem ligeiramente e são, fundamentalmente, o controlo da sintomatologia, evitando grandes oscilações da glicemia e hipoglicémias, a prevenção ou atraso do risco das complicações e a criação de condições para a manutenção de uma boa qualidade de vida.
Nos idosos a hipoglicémia é sempre uma preocupação e podemos considerar aceitável uma oscilação dos valores glicémicos entre 140 mg% e 200 mg% em qualquer ocasião do dia.
Para atingir estes objectivos é necessário naturalmente um bom nível de "Educação" com a utilização do autocontrolo glicémico, hoje mais fàcil e oneroso de o realizar.
A vigilância deve ser feita, para além dos sintomas que a pessoa com Diabetes tão bem conhece, pela HbA1c que nos permite avaliar a média das glicémias dos últimos 2-3 meses e deve ser doseada de 3/3 meses ou em períodos um pouco mais largos, nos que andam muito bem controlados.
Outro exame a realizar regularmente é o estudo lípidico. O doseamento do colesterol, dos triglicéridos, do HDL colesterol e do LDL colesterol devem ser feitos com uma regularidade dependente de cada situação clínica.
Análises de urina devem ser realizadas logo no início do diagnóstico da diabetes tipo 2 e dirigidas para a pesquisa de uma proteinúria. O doseamento da microalbuminúria permite-nos, muito precocemente, avaliar as primeiras fases de doença renal e, consequentemente, tomar atitudes terapêuticas em tempo útil.
Ao controlo da tensão arterial e a vigilância oftalmológica deve ser dada uma importância muito particular desde o início do diagnóstico porque é importante não esquecer que, quando descobrimos a diabetes já muitos meses ou anos passaram desde o início da doença.
Colunista: Luís Gardete Correia Director Clínico da APDP
Revista nº:10
Tema: Compensação na diabetes Tipo 2
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