noticias revista apdp  apdp tv
 
 
 Telf: +351 21 381 61 00  Email: diabetes@apdp.pt

A Diabetes em Portugal no ano de 2011

O Observatório Nacional da Diabetes disponibilizou no inicio deste ano o Relatório Anual da Diabetes (RAD) 2012. Este documento tem como missão “recolher e validar (…) informação cientificamente credível sobre a Diabetes em Portugal.” Assenta sobretudo em factos e dados numéricos permitindo conhecer o panorama geral e a evolução da doença no território nacional.

A International Diabetes Federation (IDF) contabiliza 371 milhões de Diabéticos em todo o mundo o que corresponde a 8,3% da população mundial. Estes valores são mais que suficientes para ser dada atenção à Diabetes.

Dentro da União Europeia, Portugal, é o país que apresenta maior prevalência da Diabetes. Este fato prende-se essencialmente com a falta de informação e fraca prevenção, bem como com maus hábitos alimentares e sedentarismo.  

A prevalência geral da Diabetes em Portugal é de 12,7%, dos quais 5,5% não estão diagnosticados. Os casos não diagnosticados de Diabetes são um problema a investir para o controlo eficaz da doença, isto porque se tratam de casos em que o perfil glicémico é constantemente elevado, no entanto não há sintomatologia, não existe controlo farmacológico nem comportamental e por isso se verifica uma evolução silenciosa da Diabetes.

Se olharmos para um panorama geral dos últimos 10 anos a prevalência da Diabetes em Portugal aumentou cerca de 80%.

 

O sexo e idade

Tal como nos últimos anos a tendência em 2011 mantém-se. O número de casos diagnosticados com Diabetes aumenta proporcionalmente com a idade e, em qualquer faixa etária, atinge mais homens que mulheres, embora esta diferença aumente com a idade.

Prevalência da Diabetes em Portugal por sexo e escalão etário

A Diabetes e a obesidade

Tal como seria de esperar verifica-se cada vez mais uma relação forte entre a obesidade e a Diabetes. O RAD, através de dados recolhidos do PREVADIAD (First diabetes prevalence study in Portugal), descreve que a relação entre a obesidade e a diabetes é de 90% e que uma pessoa obesa ou com excesso de peso tem um risco 3 vezes mais elevado de sofrer de Diabetes comparativamente a uma pessoa com peso normal.

A prevalência da Diabetes nos indivíduos com excesso de peso ou obesidade é apresentada na imagem seguinte: 

Prevalência da Diabetes em Portugal por escalão de IMC

 

Complicações e descompensações na Diabetes

No que respeita as complicações associadas à Diabetes, estas estiveram nas principais causas de internamentos nos hospitais do sistema nacional de saúde. Embora se verifique um aumento ligeiro nos internamentos nos últimos 2 anos, o número de internamentos tem-se mantido relativamente estável nos últimos anos.

Por outro lado o número de reinternamentos tem aumentado nos últimos anos, de 17% em 2010 para 21,8% em 2011, bem como tem aumentado o número de internamentos com o diagnóstico de diabetes não como causa principal mas como doença associada.

Entre as causas mais comuns dos internamentos de diabéticos estão os problemas:

Causas mais comuns nos internamentos de Diabéticos

  • Circulatórios, responsáveis por 24% dos internamentos, verificando-se uma diminuição comparativamente com 2009 e 2010;
  • Respiratórios, contabilizando um total de 13% dos internamentos, este valor tem-se mantido estável nos últimos anos
  • Nas glândulas endócrinas, metabolismo e distúrbios imunitários têm vindo a diminuir gradualmente desde 2000, sedo atualmente responsáveis por 13% dos internamentos
  • Digestivos, ocupam 10% das entradas nos hospitais públicos

No total verificaram-se 116050 internamentos de pessoas com complicações devido à Diabetes no ano de 2011.

Se as complicações são processos patológicos, causados pela Diabetes que acontecem a longo prazo, as descompensações são situações agudas e repentinas por mau controlo da glicemia e da terapêutica antidiabética (insulina e/ou comprimidos).

O número de entradas no Serviço Nacional de Saúde tem-se mantido relativamente estável nos últimos anos, no entanto damos destaque a alguns números como:

Nº de entradas no Serviço Nacional de Saúde

  • 10% das entradas nos hospitais públicos foram por cetoacidose
  • 1% de casos em coma Diabético
  • 7% de casos com complicações renais agudas
  • Grande destaque para o aumento brusco de complicações oftálmicas, de 32% em 2010 para 41% em 2011
  • 2% de casos com complicações neurológicas
  • E um destaque positivo para a diminuição das descompensações da circulação periférica que passou de 18% em 2010 para 14% em 2011.

Mortalidade e Diabetes

A diabetes continua a ter um peso importante nas causas de morte, não obstante de uma descida no último ano, os números continuam preocupantes. Em 2002 registaram-se 4443 mortes por Diabetes; em 2007 este valor decaiu para 4392, 4744 em 2010 e em 2011 registaram-se 4536 mortes por Diabetes o que corresponde a uma mortalidade de 4,4%.

A letalidade intra-hospitalar é um indicador importante para o Sistema Nacional de Saúde. Em 2011 a letalidade da população com Diabetes representou, em 2011, 22,6% do total de óbitos.

Nº de obitos dos internamentos por Diabetes

Acessibilidade e vigilância

É importante referir que o acesso a cuidados especializados para Diabéticos tem melhorado, bem como a vigilância dos diabéticos registados.

Em 2011 registaram-se 187759 consultas de Diabetes no Sistema Nacional de Saúde, 824033 consultas de Diabetes nas Unidades de Saúde primária e 1053226 consultas nas Unidades de Saúde Familiar.

Em média cada doente Diabético, registado no sistema nacional de saúde, teve acesso a 3,7 consultas de diabetes durante o ano de 2011.

Consultas de Diabetes em 2011

Diabetes gestacional

No que respeita à Diabetes Gestacional, esta continua a ser uma das complicações mais frequentes na gravidez. A informação e o cuidado especial com a alimentação neste período são cruciais.

A prevalência no ano de 2011 foi de 4,9%, registando-se um ligeiro aumento nos últimos anos.

Diabetes gestacional

O conhecimento destes factos e números é importante para apertar a vigilância e apostar na prevenção. A informação fidedigna é a chave para prevenir a doença, ou para mantê-la controlada e viver bem com a Diabetes e não ser um doente diabético.

 

Diabetes Factos e Números

Apoie  a APDP e faça um donativo