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A Síndrome metabólica

A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco de cariz metabólico que se traduz num risco acrescido de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como enfarte e acidente vascular cerebral, bem como de desenvolvimento de diabetes tipo 2.

Para o diagnóstico de síndrome metabólica é necessária a presença de 3 dos 5 fatores de risco apresentados: obesidade abdominal, aumento dos triglicerídeos, colesterol elevado, hipertensão arterial e diabetes tipo 2.

O excesso de gordura corporal, particularmente a gordura que se acumula junto dos órgãos, à qual chamamos gordura visceral, conjuntamente com a suscetibilidade metabólica de cada indivíduo, parecem ser os fatores desencadeadores desta síndrome.

A suscetibilidade metabólica pode ser entendida como a propensão que cada individuo tem para desenvolver determinados distúrbios no sistema metabólico, ela está relacionada com a genética, inatividade física, doenças do tecido gordo (tecido adiposo), idade avançada e algumas disfunções endócrinas como por exemplo, problemas de tiroide.

Embora se trate de uma conjugação de fatores, o excesso de gordura corporal parece estar sempre presente. E o aumento progressivo de peso faz com que as células gordas se acumulem junto dos órgãos, ao que chamamos gordura visceral. Este é o tipo de gordura mais perigosa, já que este tipo de tecido adiposo libertam substâncias que afetam todo o organismo, como a adiponectina e leptina que favorecem ainda mais a acumulação de gordura, citocinas inflamatórias que fazem com que existam focos inflamatórios no organismo, como por exemplo nas artérias favorecendo a acumulação de placas de gordura nas mesmas – aterosclerose.

Sabe-se ainda que doentes com síndrome metabólica têm maior risco de formação de trombos.

A hipertensão arterial

Em indivíduos saudáveis, os valores normais de pressão arterial são 120/60mmHg. Consideramos hipertensão quando temos várias medições de pressão arterial superiores a 140/90mmHg.

Nos indivíduos com síndrome metabólica e particularmente com diabetes os valores limite para hipertensão arterial são mais baixos – 130/80mmHg.

A hipertensão arterial aumenta o risco de acidente vascular cerebral, propicia a formação de placas de ateroma nas artérias, estas placas contém gordura e outros constituintes que se acumulam na parede das artérias dificultando a passagem do sangue.

A dislipidemia

A dislipidemia é um distúrbio no metabolismo dos lípidos. Os lípidos são as gorduras do nosso organismo, o que frequentemente designado de colesterol. Existem dois tipos de colesterol, um mais favorável ao organismo o HDL e outro mais prejudicial, o LDL. Na síndrome metabólica é mais grave e mais comum a redução drástica do HDL.

A diabetes tipo 2

Frequentemente a diabetes tipo 2 está associada à síndrome metabólica. Quando isto acontece o risco cardiovascular geral está bastante aumentado. Os distúrbios metabólicos são responsáveis por anomalias na tolerância à glicose e produção de insulina criando todas as condições necessárias para a diabetes tipo 2. 

 

No que respeita ao tratamento desta síndrome o objetivo principal é a perda de peso. As recomendações internacionais apontam para uma perda de, pelo menos, 10% para indivíduos com excesso de peso ou obesos e a normalização do índice de massa corporal para valores inferiores a 25kg/m2. Para isso é necessária uma dieta equilibrada com restrição da ingestão de gorduras e açúcares e rica em fibras.

Esta perda de peso deve ser acompanhada de um aumento da atividade física de, pelo menos, 30 minutos por dia com uma intensidade moderada, como por exemplo, caminhada a passo ligeiro.

Em quase todos os casos é necessário complementar a terapêutica com medicação. Esta medicação será no sentido de controlar e/ou reduzir os fatores de risco, como redução do colesterol, antidiabéticos orais ou insulina, antiagregantes plaquetários que diminuem a junção de plaquetas nas paredes dos vasos auxiliando na redução de enfartes e acidentes vasculares cerebrais.

Quando o tabagismo está presente é também impreterível que os doentes deixem de fumar, caso contrário o aumento do risco, mesmo com todas as medidas terapêuticas, continua a aumentar exponencialmente. O abandono do hábito tabágico permite reduzir a resistência à insulina própria do distúrbio metabólico bem como reduz o estado de inflamação crónica.

Como se pode compreender, a síndrome metabólico é uma doença complexa que envolve vários fatores de risco, aumentando largamente o rico cardiovascular, bem como o risco geral de saúde. A diabetes faz parte desta síndrome complexo, no entanto é importante frisar que ter diabetes não significa que vá culminar no síndrome metabólico se souber prevenir. Manter um peso saudável, optar por uma vida sem tabaco e atividade física regular são pilares para controlar bem a sua diabetes e manter-se saudável.  

 

Fonte: 

Grundy, S. M. (2007). Metabolic Syndrome: A Multiplex Cardiovascular Risk Factor. CONTROVERSY IN CLINICAL ENDOCRINOLOGY.

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