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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 54:
Os primeiros meses deste ano não trouxeram nada de novo. O País continua em crise. O Mundo também. O défice é a palavra mais ouvida, a intervenção pelo FMI uma nuvem no horizonte. E o passado não traz bonomia. Veremos o que nos reserva o futuro.

Na nossa Associação, a vida continua. Entre as dificuldades, a vontade de nos expandirmos, os apoios limitados, a vontade de encontrar parcerias para o nosso projecto, os diabéticos continuam a ser nossa prioridade.

 

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1250-203 Lisboa
telf: 21 381 61 00
fax: 21385 93 71
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Colunistas: Dulce do Ó - Enfermeira da APDP
Maria João Afonso - Nutricionista da APDP
Sónia Pratas -Médica da APDP
Revista: 32
Tema:7ª Campo de Férias APDP 2004


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Links Rápidos
E os jogos ...
Alimentação equilibrada
O convívio… a aceitação… o bem estar…
Eles e nós
7ª Campo de Férias APDP

Este campo de férias foi patrocinado pela Lifescan

Depois de muito termos ouvido e lido sobre as experiências inesquecíveis dos Campos de Férias da APDP, este ano, tivemos o privilégio de participar no 7º Campo de Férias que decorreu de 17 a 23 de Julho na Quinta da Fonte Quente, na Tocha. Participaram 20 jovens com idades compreendidas entre os 14 e 17 anos , 4 monitores com idades superiores a 18 anos,e um “super monitor” (jovem com larga experiência na área da diabetes) todos com diabetes e sob acompanhamento na APDP. A equipa multidisciplinar deste campo foi constituída por uma médica, três enfermeiras, uma nutricionista, um psicólogo, uma auxiliar de acção médica e duas professoras de educação física.

Neste espaço, pretende-se investir na motivação e educação dos jovens para a autogestão da doença, sempre num ambiente de alegria e convívio. À semelhança dos anos anteriores, os jovens foram divididos em pequenos grupos facilitando a formação das equipas para as actividades desportivas/lúdicas e pedagógicas. Realizaram-se diariamente encontros para avaliação das glicemias e determinação das doses de insulina a administrar, decididas em conjunto, tendo em consideração a acção da insulina, a alimentação e a actividade física. Nestas “discussões “ supervisionadas pela médica, enfermeiras e com colaboração da nutricionista, foi possível acompanhar o desenvolvimento dos conhecimentos e da autonomia dos jovens nas suas decisões diárias em relação ao regime terapêutico.

Para além das actividades lúdicas /desportivas, que ocuparam grande parte dos dias, desenvolveram-se “encontros educativos,” de curta duração designados ”À conversa sobre…” nos quais foram discutidos temas, tais como: insulinoterapia, hipoglicémia, cetonúria, abordando os conhecimentos existentes e as experiências individuais, com o objectivo de desenvolver competências técnicas e terapêuticas. Realizou-se também uma sessão educativa, com todo o grupo, com metodologias activas, sobre o exercício físico e a Diabetes.
Na área da Psicologia ,organizaram-se pequenas reuniões, diárias, nas quais foram focados aspectos relacionados com a aceitação da Diabetes: auto-imagem,auto-conceito, crenças de saúde e auto-responsabilização.

Estas sessões tiveram grande receptividade nos jovens com Diabetes, como poderemos verificar nos seus testemunhos:

(...)acho que tudo o que foi dito sobre hipoglicémias foi muito importante, tanto a maneira como elas são corrigidas e como são provocadas! Por isso, foi uma conversa que fortaleceu aquilo que já sabia sobre este tema (...)”

“(...) relativamente á sessão de ontem sobre o exercício físico ,aprendemos muita coisa; que para nos sentirmos bem, temos de exercitar o nosso corpo de acordo com aquilo que comemos e a quantidade de insulina que tomamos (...)”

“(...) esta conversa sobre “acetona na urina” tornou mais claras certas dúvidas que persistiam. É fundamental combater a acetona para nos sentirmos bem(...)

(...) acho que esta conversa foi muito importante pois realmente cheguei à conclusão que havia determinado tipo de coisas que eu desconhecia......e o meu grupo também.....achei interessante a parte em que se falou nos tipos de insulina e suas durações....por isso foi uma conversa em que todos estivemos atentos e interessados (...)

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E os jogos ...

Os campos ajudam a desdramatizar certas dificuldades relativamente à actividade física.
Os resultados glicémicos obtidos são frequentemente mais instáveis do que os obtidos em casa, pois há mudanças do ritmo diário. O bom conhecimento do equilíbrio da diabetes permite realizar os ajustes necessários de insulinoterapia, na sequência de cada actividade física realizada, sendo esta aprendizagem feita em várias etapas.

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ALIMENTAÇÃO EQUILIBRADA

Mais uma vez, neste campo de férias houve oportunidade de realçar determinados aspectos relacionados com a alimentação saudável e com o seu papel na obtenção de um melhor controlo da diabetes . As ementas apresentadas durante os sete dias de duração do campo, foram variadas na sua composição, nutricionalmente equilibradas, e ainda de confecção simples e saudável, sem esquecer de referir que os momentos das refeições proporcionaram sempre bons momentos de convívio e boa disposição entre todos os elementos que participaram neste campo. Por outro lado, foi sendo discutido o equilíbrio necessário entre as doses de insulina administrada ou a administrar, a actividade física desenvolvida e a quantidade de hidratos de carbono ingerida a cada refeição. Neste aspecto, foi notória a evolução e o crescimento dos jovens participantes neste campo, tanto no que diz respeito ao interesse, como ao entendimento e comportamentos necessários para a obtenção de melhores resultados. Atendendo à variedade e diferentes níveis de intensidade de actividade física desenvolvida, a prevenção da hipoglicémia foi um dos objectivos considerados. Neste sentido, o bom fraccionamento dos hidratos de carbono e o ajuste dos reforços em hidratos de carbono necessários de acordo com a duração e intensidade da actividade física foi uma constante.

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O convívio… a aceitação… o bem estar…

É importante que as actividades sociais entre pares sejam desenvolvidas num espaço fora de ambientes médicos e de casa, de forma a encorajar sentimentos, liberdade e independência.

A vida social no Campo é muito importante: identificam-se problemas e modificam-se comportamentos. Os Campos aumentam a autoconfiança para gerir a diabetes sem a mãe e sem o pai. Muitos jovens encontrarão novos amigos com os quais manterão relação durante muitos anos.

(...) é mais engraçado fazer insulina e ver o nível de glicose quando os amigos estão a fazer o mesmo (...)“.

“ (...) desde que tenho a diabetes nunca consegui identificar algo de positivo relacionado com a doença. Não gosto de verificar a glicemia, o picar, o mexer com o aparelho , o apontar valores, pensar na quantidade de insulina, no que vou comer....tanta coisa para fazer!! Mas aqui não sei, tudo é diferente...até acho que não me custam tanto essas chatices todas (...)”


“ (...) a partida aproxima-se e o nervoso miudinho também, mas levo um consolo no coração pois orgulho-me ( porque já sei) de ter aprendido imenso. A todos os diabéticos ...peço que não se esqueçam que o nosso pâncreas não funciona perfeitamente, mas o nosso cérebro é normal. Nada de derrotas ou desistências, pois esta caminhada é para viver (...) ”

“ (...) levo na bagagem recordações dos belos tempos que aqui passei, e de amigos que não vou esquecer. Foi a primeira vez que me relacionei com pessoas da minha idade que também tivessem diabetes, e digo-vos desde já que gostei imenso (...) ”

“ (...) aprendi novos conteúdos sobre a diabetes ...e ajudaram-me muito em toda a minha aprendizagem sobre a diabetes e sobre a vida igualmente (...) ”

“ (...) tenho a certeza que todos nós levamos no coração muitas recordações deste campo,...levo amizades que fiz e coisas que aprendi sobre a diabetes...(...)

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ELES E NÓS

É garantido que os jovens saem do Campo a saber mais do que aquilo que sabiam, vão para casa mais confiantes e mais receptivos para aceitar mais responsabilidades. A autonomia é estimulada, neste espaço, importante para o desenvolvimento de alicerces fundamentais à autogestão da diabetes. Essa construção tem de ser diária.
Os Campos de Férias são uma boa oportunidade para os jovens se divertirem e aprenderem e são a única oportunidade da equipa poder testemunhar o dia a dia do jovem com Diabetes, identificar problemas, adquirir experiências e poder melhorar técnicas de educação terapêutica.

A participação nestes Campos para além de ajudar na aceitação da doença e de proporcionar o convívio entre pares, contribui para que adaptem e apliquem os conhecimentos e as competências quando confrontados com novos problemas. Permite também que pratiquem comportamentos saudáveis, que ajustem o seu regime diário ( avaliem a relação entre a alimentação e o nível de actividade física), de forma a optimizar o controlo metabólico e minimizar as complicações.

“(...) é sempre difícil controlar e compensar. A expectativa seria unir saúde e bem estar. É possível! Espero que em casa corra tão bem como aqui...senti-me protegida. (...)”

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;cil controlar e compensar. A expectativa seria unir saúde e bem estar. É possível! Espero que em casa corra tão bem como aqui...senti-me protegida. (...)”

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