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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 54:
Os primeiros meses deste ano não trouxeram nada de novo. O País continua em crise. O Mundo também. O défice é a palavra mais ouvida, a intervenção pelo FMI uma nuvem no horizonte. E o passado não traz bonomia. Veremos o que nos reserva o futuro.

Na nossa Associação, a vida continua. Entre as dificuldades, a vontade de nos expandirmos, os apoios limitados, a vontade de encontrar parcerias para o nosso projecto, os diabéticos continuam a ser nossa prioridade.

 

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Colunista: Sabrina Hassanali
Revista: 45
Tema: Jovens e Diabetes Estrasburgo 13 – 15 Nov.


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Jovens e Diabetes Estrasburgo 13 – 15 Nov.


Uma experiência inesquecível

Quando a enfermeira Marina telefonou para me convidar a ir a Estrasburgo com o meu filho por ocasião do Dia Mundial das Diabetes, a minha primeira reacção foi: “Não posso”. Estava preocupada com o meu trabalho e com a secção que ficaria desfalcada porque estava uma pessoa de férias. A ela devemos, eu e o Nasser, a inolvidável experiência que vivemos em França porque não desarmou perante a negativa e, pacientemente, respondeu-me: “Vou deixá-la pensar”.

Pensei e em boa hora fomos. A troca de experiências entre os diabéticos e os pais foi, de facto, fantástica.

Tomámos conhecimento dos problemas que enfrentam alguns jovens diabéticos e os pais, nomeadamente em Portugal. Através de Jorge Loureiro, da Associação dos Diabéticos Todo o Terreno, que também estava em Estrasburgo a acompanhar o filho Luís, ficámos a saber, por exemplo, que há professores que não permitem que alunos diabéticos façam o controlo da glicemia na aula porque acham que isso pode ser traumatizante para os outros...Também conhecemos uma mãe britânica que teve de deixar de trabalhar e viver apenas com o ordenado do marido porque não havia nenhuma instituição que se responsabilizasse pelo seu bebé diabético...Ficámos ainda a saber dos tormentos por que passou um jovem grego, que nunca disse que sofria de diabetes na escola com receio de ser discriminado. Até o dia foi parar ao hospital com uma hipoglicémia grave... Casos que nos levam a concluir que há ainda um longo caminho a percorrer na sensibilização da sociedade para este problema.

E aproveitámos o facto de estarmos em Estrasburgo para começar a sensibilizar eurodeputados portugueses.

Confesso que antes dos encontros com os parlamentares pensei que estes se limitassem a ouvir-nos por ser politicamente correcto, mas tenho que me redimir porque, na verdade, alguns deles mostraram-se muito interessados e disponibilizaram-se mesmo para nos ajudar em iniciativas que quisemos empreender. Aliás, foram eles que nos deram a boa-nova de que a Lantus e as bombas infusoras passariam a ser comparticipadas.

Mas o encontro dedicado a jovens diabéticos em Estrasburgo foi particularmente compensador pelo convívio porque é importante não nos sentirmos sozinhos. Foi interessante ver como jovens de diferentes países, unidos pelo mesmo problema de saúde, se sentiram desinibidos uns com os outros. Conversavam animadamente às refeições, injectavam a insulina sem a preocupação de ver se alguém estava a olhar e os que tinham a bomba mostravam incitadoramente as vantagens do seu uso. E conseguiram convencer alguns de nós mais resistentes, incluindo a mim e ao Nasser!

Sempre encarei com alguma desconfiança os Dias Mundiais porque achava que eles de pouco serviam. Mas não é verdade. Estou certa que Dia Mundial do Diabético em Estrasburgo enriqueceu todos os que neles participaram.

Valeu a pena!

Sabrina Hassanali






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