ENGLISH VERSION
A APDP
Diabetes
Diabético
A Revista
Cursos
Culinária
Outros
Revista  

 
"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 54:
Os primeiros meses deste ano não trouxeram nada de novo. O País continua em crise. O Mundo também. O défice é a palavra mais ouvida, a intervenção pelo FMI uma nuvem no horizonte. E o passado não traz bonomia. Veremos o que nos reserva o futuro.

Na nossa Associação, a vida continua. Entre as dificuldades, a vontade de nos expandirmos, os apoios limitados, a vontade de encontrar parcerias para o nosso projecto, os diabéticos continuam a ser nossa prioridade.

 

APDP
Rua do Salitre 118-120
1250-203 Lisboa
telf: 21 381 61 00
fax: 21385 93 71
diabetes@apdp.pt

Notícias

Notícias

Diabetes na infância – Importância da alimentação na prevenção e tratamento
Por vezes não nos damos conta de um outro problema de maior gravidade que aparece intimamente ligado a uma obesidade infantil, a diabetes. Por norma podemos distinguir as doenças que se diagnosticam e são devidamente tratadas e eliminadas (uma delas é a obesidade), e as doenças que após diagnóstico somos informados que teremos de viver com elas sob controlo médico para o resto da nossa vida; a diabetes é uma delas.

Estatísticas
A nova epidemia europeia, como muitos já a retratam, apanhou de surpresa a maioria dos profissionais de saúde e tem íntima relação com a obesidade. Segundo dados estatísticos existem aproximadamente 48 milhões de diabéticos na Europa. Em Portugal a diabetes foi uma das causas de morte que mais rapidamente aumentou nos últimos 20 anos.

A probabilidade de um bebé, filho de pai ou mãe diabética, vir a ser também diabético é de 1 para 100; se os dois progenitores forem diabéticos, a probabilidade aumenta, é de 1 para 20.

Calcula-se que perto de 6% da população portuguesa sofre de diabetes e que esse número ultrapassará os 10% em 2025.

Cerca de 14 milhões de crianças europeias apresentam excesso de peso, sendo que os níveis de obesidade em crianças entre os 11 e os 15 anos aumentaram 75% na última década.

Devido a estes números o termo recente diabesidade (epidemia dupla derivada da combinação da diabetes tipo II e obesidade) tem feito cada vez mais sentido.

Conceito
A diabetes pode ser definida como uma doença endócrina na qual existe uma produção insuficiente ou nula de uma hormona, a insulina, por parte do pâncreas. A insulina é responsável no nosso organismo pela utilização da glucose, um açúcar sintetizado através da nossa alimentação, pelas células que transformam este açúcar em energia.
Quando a produção de insulina é deficiente o nível de glucose no sangue aumenta acima dos limites normais, provocando dois sintomas típicos da diabetes: poliúria (aumento da quantidade de urina) e polidipsía (aumento da sede). Outros sintomas passíveis de ocorrer numa diabetes não diagnosticada incluem visão enevoada, tonturas, suores, fraqueza muscular, aumento do apetite, formigueiro e perda temporária de sensibilidade nas mãos e pés.

Um dos principais problemas que levam a criança diabética a ser seguida criteriosamente é a maior probabilidade desta vir a sofrer de tensão arterial elevada, cataratas, excesso de peso e outros problemas cardiovasculares. Isto porque a diabetes causa uma desregulação no metabolismo das gorduras e degenerescência acelerada dos pequenos vasos sanguíneos.

Existem dois tipos de diabetes:
A forma mais grave da doença, a Diabetes mellitus tipo I (Insulino-dependente) é a que atinge com maior frequência as crianças e adolescentes de idade compreendida entre os 10 – 20 anos, com evolução rápida. O diabético tipo I é obrigado a injecções regulares de insulina, para não entrar em coma. A sua alimentação sofre um controlo muito rigoroso. A Diabetes mellitus tipo II (não Insulino-dependente) é de evolução lenta e ocorria, até há uns anos atrás, normalmente em pessoas com mais de 35 anos de idade, sendo diagnosticada muitas vezes a partir de uma simples análise médica de rotina. Neste momento, também afecta crianças e adolescentes e é neste ponto que recai a preocupação da comunidade científica actual.

Como aparece esta diabetes tão cedo?
As explicações para este facto são claras: Obesidade ou Pré-Obesidade derivada de uma dieta alimentar desequilibrada, consumismo compulsivo de produtos açucarados, sedentarismo instalado e falta de uma educação para a alimentação em meio familiar e escolar.
Neste tipo de diabetes é produzida insulina mas não a suficiente, especialmente se o doente tiver excesso de peso. Neste doente não há necessidade de injecções de insulina de compensação pois consegue, a partir de uma dieta adequada, manter a doença sob controlo.

Factores De Risco
Para prevenir o início e evolução de possíveis complicações a actuação através de um correcto diagnóstico precoce, uma vigilância periódica e uma boa compensação metabólica são essenciais.
Alguns dos factores de risco associados mais comuns são:
Obesidade;
. Má circulação (risco de amputação);
. Retinopatia (leva a possível cegueira);
. Nefropatia (casos de hemodiálise ou transplante renal);
. Doença coronária;
. Hipertensão arterial;
. Pé diabético;
. Infecções;
. Disfunção sexual.

Tratamento

O tratamento para controlo da diabetes apenas é bem sucedido quando existe uma educação da criança e dos pais, para isso a ligação com o médico assistente ou nutricionista clínico e a adopção de um método pró-activo são a chave para o controlo e redução dos factores de risco.

Responsabilidade médica e nutricional
. Manutenção da tensão arterial em níveis baixo, não deixando ultrapassar valores limite de 125/ 80;
. Revisão da dosagem de insulina, nos casos de diabetes tipo I;
. Inclusão de um protector renal, quando necessário e sob prescrição do medico assistente;
. Educação podológica para evitar risco de lesões nos pés;
. Alimentação controlada.

Responsabilidade do doente diabético
. Colaborar na auto-vigilância da diabetes através de testes ao sangue e em certos casos de urina de forma diária para permitir o ajuste da dose de insulina e da alimentação;
. Realizar uma alimentação saudável;
. Praticar exercício físico;
. Ter conhecimentos gerais sobre a doença e sua terapêutica.

Tratamento Nutricional
O tratamento visa o prolongamento da vida, o alívio dos sintomas e prevenção de futuras complicações. O seu êxito depende da manutenção dos níveis de glucose no sangue tão próximo do normal quanto possível, principalmente através do controlo de peso e gestão cuidadosa da dieta alimentar. O doente terá que abdicar de alguns alimentos ricos em hidratos de carbono simples e evitar horas a fio sem comer, provocando desta forma indesejadas hipoglicemias, que irão resultar em tonturas, fraqueza muscular, etc.

São exemplo de alimentos a evitar os que apresentam um elevado teor de açúcares simples ou Índice Glicémico alto: bebidas refrigerantes com ou sem gás, bebidas destinadas aos desportistas, pão branco, cereais açucarados, bolos secos ou com creme, mel, chocolate, marmelada; todos representam perigos reais de habituação.

A comida para bebé é também uma preocupação. As farinhas contêm uma quantidade apreciável de açúcar adicionado. A situação é tão mais alarmante porque as crianças estão a formar o paladar, se forem habituadas desde cedo ao sabor doce, dificilmente conseguirão adaptar-se a uma dieta alimentar saudável, com menos açúcares. É fundamental que os fabricantes comecem a prestar mais atenção a este aspecto.

Também alertar sobre a publicidade aos produtos alimentares na programação dirigida às crianças, que utiliza estratégias eficazes na sua promoção (aparece associada à oferta de brindes), que na maioria são doces, logo só por essa razão, apetecíveis para o consumo. Nas mensagens enganosas veiculam que os alimentos são enriquecidos e frequentemente utilizam a palavra leite (mesmo que a quantidade de cálcio que forneçam seja reduzida) ou utilizam a imagem da mãe ou professora para aprovar o consumo do alimento.

Esta realidade é comum a todos os países da Europa e alguns já avançaram para a proibição (Suécia e Noruega) ou para restrições (Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Espanha) na publicidade dirigida a crianças.

Em resumo, quase todos nós ingerimos açúcares em excesso, muitas vezes, sem darmos por isso. Se efectuarmos ligeiras alterações na dieta alimentar diária, conseguimos reduzir estes açúcares para mais de metade. Com a medicina actual, um controlo alimentar e uma auto-vigilância possibilitam que a criança diabética possa levar uma vida normal.

A criança diabética deve verificar regularmente os níveis de glucose no sangue e na urina por meio de testes simples e rápidos que o próprio pode realizar na farmácia, evitando assim os já mencionados sintomas indesejáveis. Voltamos a realçar que os pais têm um papel preponderante no aspecto educativo e de saúde. Hábitos saudáveis de beber leite sem açúcar, comer fruta fresca em vez de sobremesas com fruta ou fazer da água a bebida de eleição são medidas simples de implementar.

Dr. João Sampaio,
Nutricionista no Hospital de Saint Louis, Bairro Alto.

Voltar
Site optimizado para resolução de 1024 x 768 - desenvolvido pelo departamento de multimedia da   Querie