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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 54: Os primeiros meses deste ano não
trouxeram nada de novo. O País
continua em crise. O Mundo
também. O défice é a palavra mais
ouvida, a intervenção pelo FMI uma
nuvem no horizonte. E o passado
não traz bonomia. Veremos o que nos
reserva o futuro.
Na nossa Associação, a vida continua.
Entre as dificuldades, a vontade de nos
expandirmos, os apoios limitados, a vontade
de encontrar parcerias para o nosso
projecto, os diabéticos continuam a ser
nossa prioridade.
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Notícias
 | Diabetes na infância – Importância da alimentação na prevenção e tratamento |
Por vezes não nos damos conta de um outro problema de maior gravidade que aparece intimamente ligado a uma obesidade infantil, a diabetes. Por norma podemos distinguir as doenças que se diagnosticam e são devidamente tratadas e eliminadas (uma delas é a obesidade), e as doenças que após diagnóstico somos informados que teremos de viver com elas sob controlo médico para o resto da nossa vida; a diabetes é uma delas.
Estatísticas A nova epidemia europeia, como muitos já a retratam, apanhou de surpresa a maioria dos profissionais de saúde e tem íntima relação com a obesidade. Segundo dados estatísticos existem aproximadamente 48 milhões de diabéticos na Europa. Em Portugal a diabetes foi uma das causas de morte que mais rapidamente aumentou nos últimos 20 anos.
A probabilidade de um bebé, filho de pai ou mãe diabética, vir a ser também diabético é de 1 para 100; se os dois progenitores forem diabéticos, a probabilidade aumenta, é de 1 para 20.
Calcula-se que perto de 6% da população portuguesa sofre de diabetes e que esse número ultrapassará os 10% em 2025.
Cerca de 14 milhões de crianças europeias apresentam excesso de peso, sendo que os níveis de obesidade em crianças entre os 11 e os 15 anos aumentaram 75% na última década.
Devido a estes números o termo recente diabesidade (epidemia dupla derivada da combinação da diabetes tipo II e obesidade) tem feito cada vez mais sentido.
Conceito A diabetes pode ser definida como uma doença endócrina na qual existe uma produção insuficiente ou nula de uma hormona, a insulina, por parte do pâncreas. A insulina é responsável no nosso organismo pela utilização da glucose, um açúcar sintetizado através da nossa alimentação, pelas células que transformam este açúcar em energia. Quando a produção de insulina é deficiente o nível de glucose no sangue aumenta acima dos limites normais, provocando dois sintomas típicos da diabetes: poliúria (aumento da quantidade de urina) e polidipsía (aumento da sede). Outros sintomas passíveis de ocorrer numa diabetes não diagnosticada incluem visão enevoada, tonturas, suores, fraqueza muscular, aumento do apetite, formigueiro e perda temporária de sensibilidade nas mãos e pés.
Um dos principais problemas que levam a criança diabética a ser seguida criteriosamente é a maior probabilidade desta vir a sofrer de tensão arterial elevada, cataratas, excesso de peso e outros problemas cardiovasculares. Isto porque a diabetes causa uma desregulação no metabolismo das gorduras e degenerescência acelerada dos pequenos vasos sanguíneos.
Existem dois tipos de diabetes: A forma mais grave da doença, a Diabetes mellitus tipo I (Insulino-dependente) é a que atinge com maior frequência as crianças e adolescentes de idade compreendida entre os 10 – 20 anos, com evolução rápida. O diabético tipo I é obrigado a injecções regulares de insulina, para não entrar em coma. A sua alimentação sofre um controlo muito rigoroso. A Diabetes mellitus tipo II (não Insulino-dependente) é de evolução lenta e ocorria, até há uns anos atrás, normalmente em pessoas com mais de 35 anos de idade, sendo diagnosticada muitas vezes a partir de uma simples análise médica de rotina. Neste momento, também afecta crianças e adolescentes e é neste ponto que recai a preocupação da comunidade científica actual.
Como aparece esta diabetes tão cedo? As explicações para este facto são claras: Obesidade ou Pré-Obesidade derivada de uma dieta alimentar desequilibrada, consumismo compulsivo de produtos açucarados, sedentarismo instalado e falta de uma educação para a alimentação em meio familiar e escolar. Neste tipo de diabetes é produzida insulina mas não a suficiente, especialmente se o doente tiver excesso de peso. Neste doente não há necessidade de injecções de insulina de compensação pois consegue, a partir de uma dieta adequada, manter a doença sob controlo.
Factores De Risco Para prevenir o início e evolução de possíveis complicações a actuação através de um correcto diagnóstico precoce, uma vigilância periódica e uma boa compensação metabólica são essenciais. Alguns dos factores de risco associados mais comuns são: Obesidade; . Má circulação (risco de amputação); . Retinopatia (leva a possível cegueira); . Nefropatia (casos de hemodiálise ou transplante renal); . Doença coronária; . Hipertensão arterial; . Pé diabético; . Infecções; . Disfunção sexual.
Tratamento
O tratamento para controlo da diabetes apenas é bem sucedido quando existe uma educação da criança e dos pais, para isso a ligação com o médico assistente ou nutricionista clínico e a adopção de um método pró-activo são a chave para o controlo e redução dos factores de risco.
Responsabilidade médica e nutricional . Manutenção da tensão arterial em níveis baixo, não deixando ultrapassar valores limite de 125/ 80; . Revisão da dosagem de insulina, nos casos de diabetes tipo I; . Inclusão de um protector renal, quando necessário e sob prescrição do medico assistente; . Educação podológica para evitar risco de lesões nos pés; . Alimentação controlada.
Responsabilidade do doente diabético . Colaborar na auto-vigilância da diabetes através de testes ao sangue e em certos casos de urina de forma diária para permitir o ajuste da dose de insulina e da alimentação; . Realizar uma alimentação saudável; . Praticar exercício físico; . Ter conhecimentos gerais sobre a doença e sua terapêutica.
Tratamento Nutricional O tratamento visa o prolongamento da vida, o alívio dos sintomas e prevenção de futuras complicações. O seu êxito depende da manutenção dos níveis de glucose no sangue tão próximo do normal quanto possível, principalmente através do controlo de peso e gestão cuidadosa da dieta alimentar. O doente terá que abdicar de alguns alimentos ricos em hidratos de carbono simples e evitar horas a fio sem comer, provocando desta forma indesejadas hipoglicemias, que irão resultar em tonturas, fraqueza muscular, etc.
São exemplo de alimentos a evitar os que apresentam um elevado teor de açúcares simples ou Índice Glicémico alto: bebidas refrigerantes com ou sem gás, bebidas destinadas aos desportistas, pão branco, cereais açucarados, bolos secos ou com creme, mel, chocolate, marmelada; todos representam perigos reais de habituação.
A comida para bebé é também uma preocupação. As farinhas contêm uma quantidade apreciável de açúcar adicionado. A situação é tão mais alarmante porque as crianças estão a formar o paladar, se forem habituadas desde cedo ao sabor doce, dificilmente conseguirão adaptar-se a uma dieta alimentar saudável, com menos açúcares. É fundamental que os fabricantes comecem a prestar mais atenção a este aspecto.
Também alertar sobre a publicidade aos produtos alimentares na programação dirigida às crianças, que utiliza estratégias eficazes na sua promoção (aparece associada à oferta de brindes), que na maioria são doces, logo só por essa razão, apetecíveis para o consumo. Nas mensagens enganosas veiculam que os alimentos são enriquecidos e frequentemente utilizam a palavra leite (mesmo que a quantidade de cálcio que forneçam seja reduzida) ou utilizam a imagem da mãe ou professora para aprovar o consumo do alimento.
Esta realidade é comum a todos os países da Europa e alguns já avançaram para a proibição (Suécia e Noruega) ou para restrições (Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Espanha) na publicidade dirigida a crianças.
Em resumo, quase todos nós ingerimos açúcares em excesso, muitas vezes, sem darmos por isso. Se efectuarmos ligeiras alterações na dieta alimentar diária, conseguimos reduzir estes açúcares para mais de metade. Com a medicina actual, um controlo alimentar e uma auto-vigilância possibilitam que a criança diabética possa levar uma vida normal.
A criança diabética deve verificar regularmente os níveis de glucose no sangue e na urina por meio de testes simples e rápidos que o próprio pode realizar na farmácia, evitando assim os já mencionados sintomas indesejáveis. Voltamos a realçar que os pais têm um papel preponderante no aspecto educativo e de saúde. Hábitos saudáveis de beber leite sem açúcar, comer fruta fresca em vez de sobremesas com fruta ou fazer da água a bebida de eleição são medidas simples de implementar.
Dr. João Sampaio, Nutricionista no Hospital de Saint Louis, Bairro Alto. |
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