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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 55: Recentemente desafiaram-me para falar dos filmes da minha vida. Não
pude resistir ao convite para uma viagem muito especial ao fundo da
memória, que foi também uma oportunidade para descobrir alguns segredos
por detrás de alguns dos títulos mais famosos ou míticos da história
do cinema. Perguntar-me-ão, afinal o que é que isto pode ter a ver com a Diabetes?
Como que é que um assunto aparentemente tão superficial ou lúdico
pode inspirar um Editorial numa Revista como esta? Na realidade, para um cinéfilo como eu, estas decisões foram dolorosas,
custaram muito. No devido contexto, claro. Noutra dimensão, falando
de coisas muito mais sérias e importantes, porque se trata da saúde
e bem-estar, também os diabéticos têm que fazer opções de fundo. Decidir
pôr de lado alguns prazeres excessivos de vida, para escolher um estilo
de vida mais saudável. No fundo criar prioridades. Prevenir para evitar
danos irreversíveis a médio prazo.
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| Pessoas Ilustres com Diabetes |
Pessoas Ilustres com Diabetes
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| Colunista: Luis Gardete Correia - Endocrinologista da APDP |
| Revista:33 |
| Tema: Júlio Verne |
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Visionário da ciência e da tecnologia Júlio Verne 1828-1905
Júlio Verne nasceu a 8 de Fevereiro de 1828 em Nantes, Bretanha. Desde muito
criança brincava com o irmão mais novo, Paul, nas margens do Rio Loire onde se entretinha ouvindo as histórias dos marinheiros que pousavam nos bares da região entre os barcos ancorados. Adorava ouvir histórias de viagens longínquas por mares distantes.
Com 11 anos de idade decide ser marinheiro e foge de casa para um barco prestes a partir mas é rapidamente apanhado pelo pai na primeira escala e sofre um severo castigo corporal. Promete não mais fugir e viajar no futuro através da imaginação e fantasia.
O pai, Pierre Verne, queria-o advogado e não marujo. Acabou fazendo a vontade ao pai e tirou o curso de Direito em Paris. Aqui, entra no clima boémio e relaciona-se com Victor Hugo, Alexandre Dumas e Eugénio Sue. Consegue a amizade e protecção dos Dumas, pai e filho. Com o curso acabado recusa a vontade do pai de regressar a Nantes e afirma querer fazer uma carreira de letras.
Em 1852, foi trabalhar como secretário do Teatro Lírico onde se manteve cerca de 2 anos. Nessa altura, conheceu Honorine-Ane de Vianne, viúva com duas filhas. Casaram-se em 1857 mas os seus interesses nunca foram comuns. Após o casamento vai trabalhar como corrector da Bolsa de Valores. Trava conhecimento com o fotógrafo Félix Nadar, um amante do balonismo como muita gente de Paris naquela época. Com Nadar deu imensos passeios de balão, despertando-lhe o gosto para escrever sobre aventuras, máquinas e viagens.
É Nadar que o apresenta ao editor Jules Helzel e mostra-lhe os seus escritos sobre aventuras e viagens de balão. Depois de algumas críticas que obrigaram Verne a reescrever os primeiros escritos, Helzel torna-se o seu editor. Edita então o livro “Cinco semanas em balão” que se torna rapidamente um sucesso. Assina um contrato com Helzel em que obriga a escrever dois livros por ano, válido por vinte anos e, mais tarde, prorrogado por toda a vida. Verne cumpre rigorosamente este contrato durante 40 anos. Heltzel colabora nos temas dos livros de Verne: como inveterado viajante, toma notas em todas as viagens de comboio entregando-as a Verne para sua inspiração. Estávamos no período de grande desenvolvimento das linhas de caminho de ferro por todo o mundo. Verne transformava-se na oportunidade de viajar de todos aqueles que não tinham outra forma de se verem noutras paragens. Escreve o livro “Vinte mil léguas submarinas” que servirá de inspiração para muitas gerações futuras. Compra um barco, o “Saint-Michel”, onde escreveu muitos dos seus livros. Escrevia muitas vezes dois e três livros ao mesmo tempo. O livro “Volta ao mundo em 180 dias” foi um estrondoso sucesso que obrigou muitas companhias de navegação a alterar os seus programas para que os seus passageiros conhecessem as paragens e sensações ali descritas.
Um incidente com uma arma de fogo manipulada pelo seu sobrinho, que lhe atingiu a perna, comprometeu definitivamente a sua mobilidade. Deixou de poder andar de barco e de dar os imprescindíveis passeios a pé. Com a sua incapacidade, o desaparecimento do irmão, do amigo e editor Helzel, entra em estado depressivo mas não deixa de escrever e quer chegar à sua centésima obra.
Na noite de 24 de Março de 1905 pediu o livro “ Vinte mil léguas submarinas”, chamou a mulher e os filhos, fechou os olhos e faleceu.
Nos seus livros previu muito do que mais tarde a ciência e a técnica colocou à nossa disposição. Nas “Vinte mil léguas submarinas” encontramos um submarino, o “Nautilus”, de 70 metros, que deslocava 8 toneladas e onde a tripulação respirava ar comprimido armazenado em tubos cilíndricos. “Da terra à Lua” é uma antevisão perfeita das viagens “Apollo” à lua nos anos 70 e 80 do século passado. Grandes obras de engenharia, mais tarde realizadas, estão nas obras de Verne como o canal do Suez e o túnel do Mont-Cenis que liga a Itália a França. O seu último livro, “A invasão do mar”, uma novela que escrevia quando a morte o surpreendeu, descrevia uma maré gigante do oceano que arrasava toda a Europa.
Júlio Verne era uma pessoa com Diabetes.
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