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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 55: Recentemente desafiaram-me para falar dos filmes da minha vida. Não
pude resistir ao convite para uma viagem muito especial ao fundo da
memória, que foi também uma oportunidade para descobrir alguns segredos
por detrás de alguns dos títulos mais famosos ou míticos da história
do cinema. Perguntar-me-ão, afinal o que é que isto pode ter a ver com a Diabetes?
Como que é que um assunto aparentemente tão superficial ou lúdico
pode inspirar um Editorial numa Revista como esta? Na realidade, para um cinéfilo como eu, estas decisões foram dolorosas,
custaram muito. No devido contexto, claro. Noutra dimensão, falando
de coisas muito mais sérias e importantes, porque se trata da saúde
e bem-estar, também os diabéticos têm que fazer opções de fundo. Decidir
pôr de lado alguns prazeres excessivos de vida, para escolher um estilo
de vida mais saudável. No fundo criar prioridades. Prevenir para evitar
danos irreversíveis a médio prazo.
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| Pessoas Ilustres com Diabetes |
Pessoas Ilustres com Diabetes
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| Colunista: Luis Gardete Correia - Endocrinologista da APDP |
| Revista:37 |
| Tema: D. Pedro II do Brasil |
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D. Pedro II do Brasil
D. Pedro II nasceu no Rio de Janeiro em 2 de Dezembro de 1825. Filho de D. Pedro I do Brasil, mais tarde Rei de Portugal, e de sua mulher a Imperatriz Leopoldina. Recebeu o nome de Pedro de Alcântara João Carlos Salvador Bebiano Xavier de Paula Leocádio Miguel Gabriel Gonzaga de Bourbon Bragança e Habsburgo e foi o segundo e ultimo imperador do Brasil. Sucedeu a seu pai, D. Pedro I, que abdicou a seu favor em 7 de Abril de 1831 para assumir a coroa de Portugal.
D. Pedro II tinha então 5 anos de idade quando foi aclamado Imperador. Teve como mestres os mais conceituados professores da sua época que o instruíram e, principalmente, o formaram, sob a orientação do preceptor, o carmelita Frei Pedro de Santa Mariana, mais tarde bispo de Crisópolis, que lhe ensinou a doutrina católica, latim e matemática. Com diversos mestres ilustres do seu tempo estudou também português, francês, inglês, alemão, literatura, geografia, ciências naturais, dança, pintura, esgrima e equitação.
Quando, aos 15 anos, adquirida a maioridade, recebeu uma delegação parlamentar que lhe fora perguntar se desejava esperar mais três anos ou assumir desde logo o poder respondeu: “Quero já”.
Coroado em 18 de Julho de 1841 iniciou um reinado que durou 48 anos e terminou com a implantação da república. Em Maio de 1842 casou-se com a princesa Teresa Cristina Maria, filha de Francisco I, Rei das Duas Secílias. Desse casamento nasceram quatro filhos: Afonso (1845-1847), Isabel, chamada a Redentora (1846 -1921), Leopoldina (1847 - 1871) e Pedro (1848 - 1850). A morte dos dois varões foi um rude golpe para o Imperador.
Ao longo do seu reinado D. Pedro II exerceu a sua autoridade com discernimento, assegurou ao legislativo o pleno desempenho das suas funções e à imprensa uma inteira liberdade de expressão. Foi um amante das artes e das letras, homem tolerante que, em busca de consensos, procurou gerir sem grandes convulsões as transformações sociais que entretanto iam ocorrendo.
O império não foi, no entanto, um período de grande desenvolvimento económico. O esclavagismo declinava e o país mantinha-se dependente do latifúndio e da monocultura. A luta entre conservadores e liberais, sobretudo depois do anos 80, agudizava-se. O exército queria mais autonomia, resultado da força que lhe vinha do sucesso da Guerra do Paraguai e absorvia cada vez mais as ideias republicanas. A Igreja simpatizava cada vez menos com o imperador, que era maçon, e queria estabelecer um estado laico. Na questão religiosa de 1872 chegou mesmo a mandar prender os Bispos D. Vital e Macedo da Costa que desafiaram o poder real. Mas, após julgados pelo Supremo Tribunal, em 1875, e condenados, concedeu-lhes uma amnistia.
Durante o seu reinado foi aberta a primeira estrada de rodagem, a União e Indústria; começou a rodar a primeira locomotiva a vapor; foi instalado o cabo submarino, inaugurado o telefone e instituído o selo postal.
No início da década de 70 aparece-lhe uma diabetes que controla com muita dificuldade. Não se sentindo fisicamente bem vai lentamente afastando-se da política.
Em Junho de 1887 parte para França onde consulta Jean-Martin Charcot, Alemanha, onde é observado por Adolf Kussmaul, e Itália. Na Riviera, encontra Nietzsche. Em Milão é acometido por uma pneumonia. É tratado com sucesso em Aix-les–Bains onde se mantém até meados de 1888 altura em que regressa ao Brasil. Dedica-se mais às artes e letras. Corresponde-se com Wagner e Pasteur. Em Novembro de 1889 tenta sufocar uma intentona republicana. O movimento tem sucesso e são-lhe dadas, pelo governo provisório, vinte e quatro horas para abandonar o país. Recebe a República como um movimento natural da evolução brasileira, formulando “ardentes votos por sua grandeza e prosperidade”.
Embarca em 17 de Novembro, com a família, para Lisboa onde chega a 7 de Dezembro, indo para o Porto. Nesta cidade, em 28, a imperatriz morre. O imperador vai para França e vive entre Paris, Versailles e Cannes frequentando concertos e conferências.
D. Pedro II morre com uma pneumonia em Paris, em 5 de Dezembro de 1891, no Hotel Bedford. Os seus restos mortais são trasladados para Lisboa e ficam juntos aos da Imperatriz no Convento de S. Vicente de Fora.
Em 1920 é revogada a Lei do Banimento, sendo seus restos mortais transladados para o Brasil onde repousam em Petrópolis, na Catedral, cuja construção teve início sob o seu generoso patrocínio. No ano de 1939 dão-se os funerais oficiais em cerimónia presidida pelo Presidente Getúlio Vargas.
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