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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 55:
Recentemente desafiaram-me para falar dos filmes da minha vida. Não pude resistir ao convite para uma viagem muito especial ao fundo da memória, que foi também uma oportunidade para descobrir alguns segredos por detrás de alguns dos títulos mais famosos ou míticos da história do cinema. Perguntar-me-ão, afinal o que é que isto pode ter a ver com a Diabetes? Como que é que um assunto aparentemente tão superficial ou lúdico pode inspirar um Editorial numa Revista como esta? Na realidade, para um cinéfilo como eu, estas decisões foram dolorosas, custaram muito. No devido contexto, claro. Noutra dimensão, falando de coisas muito mais sérias e importantes, porque se trata da saúde e bem-estar, também os diabéticos têm que fazer opções de fundo. Decidir pôr de lado alguns prazeres excessivos de vida, para escolher um estilo de vida mais saudável. No fundo criar prioridades. Prevenir para evitar danos irreversíveis a médio prazo.

 

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Pessoas Ilustres com Diabetes

Pessoas Ilustres com Diabetes

Colunista: José Magalhães - Secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna
Revista:45
Tema: Fausto Correia


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Fausto Correia



Foi um homem com mil facetas. Diabético, sim, também. Um doente dificil, que digeria sem pressa as recomendações médicas. Racional e inteligente, compreendia bem o saber médico… Sabia que devia seguir escrupulosamente os conselhos clínicos e procurava segui-los. Só que, verdade seja dita, no entusiasmo produzido por certas circunstâncias, na alegria inveterada do convívio, travava uma luta de desfecho variavel com as tentações, julgando desta forma poder iludir o dilema necessidade versus liberdade.

Quem conhecia e admirava o seu enorme dinamismo político, cultural e social, achava-lhe surpreendente o pendor sedentário. Incansável no plano intelectual, mostrava-se placidamente “alérgico” ao exercício físico.

Fausto Correia foi meu amigo de forma comovente e muitas vezes me deu provas de uma fraternidade concreta. Atento ‘as minhas maleitas nunca hesitou em ir comigo aos templos da medicina da sua cidade. Não se tomando por Zeus, pediu-me conselho sobre temas que nos apaixonavam num tempo em que isso era raridade exotica (penso na ideia das lojas do cidadao que ambos tinhamos visto no Brasil e ele conseguiu impulsionar,com Jorge Coelho,aqui em Portugal).

Foi um homem marcante da nossa geração. Como jornalista foi dinâmico, criativo, sério e interessado. Depois cruzamo-nos na política, área em que –posso testemunhá-lo com absoluta convicção – foi um grande político, de ideias generosas, Humanista com caixa alta, livre de pensamento, pragmático e consequente na acção política realizadora, arredador, tanto quanto lhe era possível, dos condicionalismo que travam a construção de uma sociedade justa, solidária e democrática.Fiel aos seus amigos a ponto de sacrificar ambicoes justas para não pisar as daqueles que o estimavam.

Era um construtor. Não um Sísifo, pois sempre teve a noção das proporções entre a capacidade realizadora e a utopia por que se orientava. Muito lhe admirei o facto de saber sempre medir para realizar. Tolerante, conhecia bem o alcance, a necessidade e a importância deste valor humano. Tolerava porque sabia resistir com nobreza às contrariedades. Relativizava o negativo e o positivo sem ser relativista no apego aos valores.

Tudo isto e muito mais fez dele um grande político. Um humanistaque nos faz uma dolorosa falta nas boas e mas horas.

Deputado com intensa actividade no Parlamento Europeu, Fausto Correia viria a falecer em Bruxelas, em 29 de Outubro de 2007, vítima de ataque cardíaco. Foi um parlamentar muito interventivo e respeitado mesmo pelos seus adversários políticos.

Foi relator Relator no âmbito da Comissão LIBE - Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos, da iniciativa “Prüm”, em que desenvolveu um enorme esforço de compatibilização entre as exigências de uma cooperação policial operativa e eficiente e a defesa e promoção dos direitos fundamentais.

A propósito do seu envolvimento parlamentar neste processo, num texto que sintetiza bem a natureza das suas preocupações e forma de actuar, Fausto Correia escreveu

Enquanto Relator, colocado perante uma iniciativa com esta importância e visibilidade, as minhas principais preocupações foram, assim, no sentido de encontrar o equilíbrio possível entre as exigências de uma cooperação policial operacional e eficaz na luta contra as principais ameaças às fundações da própria União Europeia (o terrorismo e a criminalidade) e a protecção dos direitos fundamentais dos particulares. Convenhamos que obter um tal equilíbrio e transpôlo para um texto aceite pela esmagadora maioria dos Deputados representados na Comissão LIBE, oriundos também eles de vários quadrantes políticos, não foi uma tarefa fácil - mas foi sem dúvida profícua. É que tenho a sincera convicção que as propostas que vão ser sujeitas ao veredicto do Plenário melhoram substancialmente o projecto apresentado pelo Conselho.

Fausto de Sousa Correia nasceu em em Coimbra, em 1951. Foi advogado e consultor de empresas. Jornalista do “República”, co-fundador de “A Luta” e chefe da Delegação egional Centro da ANOP - Agência Noticiosa Portuguesa. Regeu a cadeira de “Iniciação ao Jornalismo” no Liceu D. Duarte, em Coimbra. Durante quase nove anos, de 1983 a 1992, fez parte dos sucessivos Conselhos de Administração da RDP - Radiodifusão Portuguesa. Desde Abril de 1992 e até Outubro de 1995, foi Vice-Presidente da Direcção-Geral da Agência LUSA de Informação.

Foi Deputado à Assembleia da República, eleito pelo Círculo de Coimbra, nas IV, VII, VIII e IX Legislaturas. De Outubro de 1995 e até Outubro de 1999, exerceu as funções de Secretário de Estado da Administração Pública do XIII Governo Constitucional. Entre Outubro de 1999 e Abril de 2002 foi, sucessivamente, Secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, Secretário de Estado Adjunto do Ministro de Estado e Secretário de Estado Adjunto do Primeiro- Ministro.

Militante do PS desde 1974, foi, desde Maio de 1992 e até Outubro de 2000, Secretário- Coordenador da Federação Distrital de Coimbra, cargo que já desempenhara entre 1978 e 1980 e que voltou a exercer entre Março de 2002 e Abril de 2003. Membro do Secretariado Nacional do PS desde Março de 1994 e da respectiva Comissão Permanente desde 1996 e até ao último Congresso Nacional, em 2002, onde foi eleito membro da Comissão Nacional e da Comissão Política Nacional. Foi igualmente Vogal da Junta Distrital de Coimbra, Vice- Governador Civil de Coimbra, Presidente-Substituto e Vereador a Câmara Municipal de Coimbra, Secretário do Conselho Fiscal da Associação Atlântica dos Jovens Dirigentes Políticos, Deputado à Assembleia Municipal de Coimbra e membro da Direcção do Instituto de Imprensa Democrática (IID). Foi deputado à Assembleia Municipal de Miranda do Corvo e Presidente da Mesa da Comissão Política da Federação de Coimbra do PS.

No Parlamento Europeu, para que foi eleito deputado entre Julho de 2004 e Outubro de 2007, foi membro efectivo da Comissão Parlamentar das Liberdades Cívicas, Justiça e Assuntos Internos e suplente da Comissão Parlamentar dos Transportes e Turismo. Foi ainda membro efectivo da Delegação EU - Comunidade Andina e membro suplente da Delegação para as Relações com o Mercosul e da Delegação à Assembleia Parlamentar Euro-Latina- Americana (EUROLAT). Fundador e presidente da Direcção do FORUM CONIMBRIGAE, foi dirigente da Associação Académica de Coimbra, co-fundador do Clube Académico de Coimbra e vicepresidente da Assembleia Geral da Académica/Organismo Autónomo de Futebol; membro do Conselho Nacional de Solidariedade Afro- Lusitana. Foi presidente da Direcção da Associação Académica de Coimbra/ Organismo Autónomo de Futebol até Outubro de 1995 e hoje é membro do seu Conselho Académico. Foi Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Coimbra durante vários mandatos e foi Presidente da Assembleia Geral do Olivais Futebol Clube. Publicou várias obras, nomeadamente, Praça da República I (1997), Praça da República II (1998) e Praça da República III (1999). Melhor Administração, Mais Cidadania (1999), em co-autoria com o Dr. Jorge Coelho, então Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.

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o, então Ministro Adjunto do Primeiro-Ministro.

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