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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 54: Os primeiros meses deste ano não
trouxeram nada de novo. O País
continua em crise. O Mundo
também. O défice é a palavra mais
ouvida, a intervenção pelo FMI uma
nuvem no horizonte. E o passado
não traz bonomia. Veremos o que nos
reserva o futuro.
Na nossa Associação, a vida continua.
Entre as dificuldades, a vontade de nos
expandirmos, os apoios limitados, a vontade
de encontrar parcerias para o nosso
projecto, os diabéticos continuam a ser
nossa prioridade.
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APDP
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1250-203 Lisboa
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Iniciativas |
Iniciativas
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| Colunista: João Filipe Raposo - Endocrinologista da APDP |
| Revista: 35 |
| Tema:6º Seminário de Sesimbra |
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Seminário de Sesimbra da APDP 2005
A DECISÃO
Na edição anterior e a propósito do DESG (Diabetes Education Study Group – Grupo de Estudo para a Educação em Diabetes da Associação Europeia para o Estudo da Diabetes - EASD) referimos a existência desde há 6 anos de Seminários organizados pela nossa Associação subordinados a temas de Educação Terapêutica.
Este ano, em Maio e durante 2,5 dias, estivemos mais uma vez reunidos. O tema deste ano era “A Decisão”.
Todos sabemos que a adesão à terapêutica proposta em consulta é baixa (por isso descanse que não está só quando está a fazer umas “adaptações” das terapêuticas). O que os profissionais de saúde discutem é o porquê desta situação. Supostamente os profissionais de saúde deveriam saber o que é o melhor para o doente e os doentes estariam dispostos a cumprir rigorosamente o que lhes é proposto. Então porque não fazem ? (Se desejar dar a sua opinião, escreva-nos)
Porque tomam a decisão (conscientemente, semi-conscientemente ou inconscientemente) de não fazer a terapêutica ? Como tomamos todos nós as decisões ?
O SEMINÁRIO
O nosso primeiro exercício e que serviu também de apresentação de todos os participantes foi uma simulação de uma compra. Cada um teve de comprar um sabonete, um computador ou um automóvel (num dos “stands especializados”). A sua escolha foi devidamente justificada perante todo o plenário. Rapidamente verificámos que as nossas decisões são baseadas em factores pessoais (“gosto mais deste cheiro”), familiares (“é um produto que sempre se usou lá em casa”) ou ainda mais externos (“a publicidade”, “a vendedora”). Verificámos também que o peso relativo destes factores depende também do produto (a decisão de escolha de um automóvel era menos imediata e mais sujeita a factores externos do que a escolha de um sabonete). Discutimos também o porquê de não comprar e a existência de factores de marketing que influenciam as decisões de compra de um produto (p.exemplo: preço, posicionamento).
Com a pergunta, “será que as decisões que tomamos em relação à Saúde (na Doença Crónica) são muito diferentes das decisões em relação a sabonetes, computadores ou automóveis ?” foi lançado o tema do Seminário.
No dia seguinte, e após um momento (que se repetiu todas as manhãs) em que aprendemos a conhecer melhor o nosso corpo, começámos a dissecar a lista das influências das decisões.
De manhã analisámos os factores pessoais ligados à nossa personalidade e que nos fazem optar por fazer uma colonoscopia, um RX de tórax (por suspeita de tumor do pulmão) ou uma análise ao VIH (SIDA).
Discutimos a influência da família e de como é importante sabermos qual o papel que os seus elementos têm. O mote foi “Uma fotografia de família não é suficiente para conhecer a família”.
De manhã ainda analisámos de que modo as nossas decisões são influenciadas por elementos ainda mais externos: colegas, amigos, publicidade, etc. – e de como estas influências são pensadas mas raramente faladas.
Á tarde sistematizámos outro tipo de influências: Como acontece um click (aquela decisão naquele momento), porque não nos convencem com benefícios a longo prazo (emagreço agora para não ter um enfarte daqui a 10 anos), como o enquadramento de um facto nos influencia (tomo a decisão de fazer um exame para saber que estou bem ou para saber que não tenho um cancro – parece igual mas não é).
Finalizámos com o tratamento das emoções nas decisões. Discutimos decisões nossas de que nos “arrependemos”. Será que há outro olhar que nos permita lidar melhor com elas. Poderemos desenvolver “o optimista que há dentro de todos nós” ?
No segundo dia analisámos o papel da equipa de saúde. Os profissionais directivos, a equipa que transmite mensagens contraditórias, o papel do pessoal administrativo.
Trabalhámos depois o que fazer perante uma pergunta muito habitual “O que fazia no meu lugar ?”.
À tarde, e já na Arrábida, aprendemos a trabalhar em equipa (remámos em canoas entre duas praias – tão difícil no inicio – aprendizagem, coordenação, liderança; mas o objectivo foi atingido). O convívio final foi bem merecido !!
No domingo, o final aproximava-se. Ouvimos como o marketing aprendeu a conhecer os processos de decisão e de como os utiliza.
O exercício final pretendia ser a aplicação de tudo o que se tinha discutido e de como poderia ser utilizado na nossa prática diária. Discutimos estratégias a aplicar para melhorar a adesão a actividade física, autovigilância ou à polimedicação. Não é fácil mas aprendemos a delinear as nossas estratégias de acordo com uma análise mais fundamentada das situações.
Terminámos com Sinatra e “My way”. Foi a nossa despedida mas também a promessa de voltar para o ano, com outro tema que constitua para nós, como sempre tem sido, um desafio (e que se reflecte sempre em nós, na nossa actividade e portanto nos “nossos” doentes).
Para a realização deste seminário contribuíram directamente: José Manuel Boavida, Carlos Góis, Eduardo Moos, Vera Reimão Pinto, Cristina Duarte, Sofia Albuquerque, Alexandra Fonseca, Francisco Rosário, Maria João Afonso, Cristina Nave, Margarida Barradas, Paula Mateus, Matilde Cabral, Lurdes Serrabulho, Paula Margarido, João Raposo, Paula Leiria Pinto, Ana Caetano, Cristina Rivero, Lisa Vicente, Rosa Pina, Rui Oliveira, Paula Bogalho, Cristina Valadas, Sónia Pratas, Guido Ruffino, Francisca Pacheco, Eduardo Correia, António Garrão, Luís Gardete Correia, Rui Duarte, Isabel Lino, Alda Silveira, Arminda Zuniga e teve o apoio total indispensável da Casa Servier.
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