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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 55: Recentemente desafiaram-me para falar dos filmes da minha vida. Não
pude resistir ao convite para uma viagem muito especial ao fundo da
memória, que foi também uma oportunidade para descobrir alguns segredos
por detrás de alguns dos títulos mais famosos ou míticos da história
do cinema. Perguntar-me-ão, afinal o que é que isto pode ter a ver com a Diabetes?
Como que é que um assunto aparentemente tão superficial ou lúdico
pode inspirar um Editorial numa Revista como esta? Na realidade, para um cinéfilo como eu, estas decisões foram dolorosas,
custaram muito. No devido contexto, claro. Noutra dimensão, falando
de coisas muito mais sérias e importantes, porque se trata da saúde
e bem-estar, também os diabéticos têm que fazer opções de fundo. Decidir
pôr de lado alguns prazeres excessivos de vida, para escolher um estilo
de vida mais saudável. No fundo criar prioridades. Prevenir para evitar
danos irreversíveis a médio prazo.
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| Mulher com Diabetes |
Mulher com Diabetes
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| Colunista: Lisa Ferreira Vicente - Ginecologista -Obstetra Consulta de Saúde reprodutiva APDP |
| Revista:34 |
| Tema: As "Pílulas" ... falando de questões práticas ... |
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As "Pílulas" ... falando de questões práticas ...
São normalmente denominadas por “pílulas”, os contraceptivos orais que se tomam sob a forma de comprimido. Existem actualmente no mercado dois tipos diferentes de contraceptivos orais, igualmente eficazes, mas com diferenças significativas nas contra-indicações, nos efeitos sobre o ciclo menstrual e na forma de tomar (para mencionar apenas as diferenças mais importantes):
· os contraceptivos orais combinados, que têm estrogénio e progestativo;
· os contraceptivos só com progestativo. No mercado português existe apenas um, denomina-se Cerazette®
Os contraceptivos orais combinados são o método de contracepção mais utilizado pelas mulheres portuguesas. Contudo, a grande maioria das utilizadoras não sabe como proceder em situações concretas, como por exemplo: esquecimentos, vómitos, toma concomitante de outros fármacos, etc...
É importante que a própria mulher saiba como proceder correctamente nestas situações práticas, para evitar as falhas contraceptivas.
Neste artigo serão abordadas dúvidas e questões que surgem frequentemente na toma dos contraceptivos orais combinados. Numa próxima revista, será abordada a pílula progestativa.
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Eficácia
Quando começam a ser eficazes?
As pílulas funcionam essencialmente por inibirem a ovulação. Quando se inicia a primeira embalagem no primeiro dia da menstruação, a inibição da ovulação fica assegurada logo nessa embalagem. Ou seja, a mulher não necessita outro “cuidado contraceptivo” na primeira embalagem, se tiver respeitado esta regra.
Quando deixam de ser eficazes?
Quando se cessa uma embalagem o efeito contraceptivo passa. A mulher pode engravidar logo de seguida, sem qualquer problema, caso assim o deseje. Não é preciso aguardar nenhum tempo para poder engravidar em segurança.
O que interfere na eficácia?
Esquecer-se de tomar, nem que seja um comprimido; tomar simultaneamente antibióticos; vomitar; ter diarreia; tomar outros medicamentos, como por exemplo, os anti-epilépticos e os anticoagulantes...
As pílulas devem ser tomadas sempre mais ou menos à mesma hora.
Qual a melhor forma de não a esquecer?
É associar este hábito a um hábito diário que já tenha. Por exemplo, escovar os dentes à noite. Colocar a embalagem num copo com a escova e a pasta de dentes, pode ser uma boa ideia. A toma à noite tem a vantagem que na manhã seguinte ainda tem uma nova hipótese de se voltar a lembrar, quando voltar a escovar os dentes...
Um alarme no telemóvel também pode ser outra ideia.
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Esquecimentos
· Se tomar a pílula fora da hora habitual, mas ainda durante as 12 horas seguintes, deve-se tomar nessa altura a pílula esquecida e a seguinte na hora habitual. Mesmo que a isto corresponda tomar 2 pílulas no mesmo dia. Neste caso não é preciso mais nenhum cuidado.
· Se o esquecimento ultrapassar as 12 horas, deve-se continuar a tomar a embalagem normalmente. Porém, durante os 7 dias seguintes (sem novos esquecimentos) tem de ter também outro cuidado contraceptivo. Por exemplo, o preservativo.
· Se o esquecimento foi logo no início da embalagem e já teve relações sexuais, deve ser feita contracepção de emergência.
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Outra situações que interferem...
Quando se vomita nas 2-3 horas seguintes à toma da pílula, ela pode não ter sido absorvida. Nesse caso, aguarda-se deixar de vomitar e toma-se uma nova pílula dentro do período de 12 horas seguintes. Se isto não for possível, considera-se a pílula “esquecida” e procede-se como se explicou anteriormente.
Quando se toma antibióticos ou se tem diarreia.
Não se pára a embalagem da pílula, mas enquanto durarem estes acontecimentos tem de se utilizar também outro método de contracepção (ex: preservativo). E depois ainda mais 7 dias (por ex: antibiótico 7 dias = 14 dias de preservativo).
Quando se faz regularmente medicamentos que interferem com a pílula, deve-se procurar outro método de contracepção...um alerta: se já toma a pílula e vai começar um novo tratamento, deve sempre perguntar ao médico que prescreve se esse tratamento vai diminuir a eficácia da contracepção.
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Os "descansos da pílula" ...
Muitas mulheres continuam ainda a fazer aquilo a que chamam “descanso da pílula”: não a tomam durante um ciclo...
Está cientificamente demonstrado que não é necessário interromper a toma da pílula, excepto quando se quer engravidar. Não diminui a ocorrência de efeitos secundários, nem altera a fertilidade. O que acontece é que muitas mulheres engravidam nesta altura.
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Perguntas frequentes:
– Engordo com a pílula?
É um “velho mito” que as pílulas “engordam”. O aumento de peso é pouco frequente. O que acontece mais frequentemente, é as mulheres aumentarem de peso por outras causas e depois “culparem” a pílula por isso. Quando se pára a pílula e o peso não volta ao normal, mostra que a variação de peso não tinha a ver com a sua toma.
– Faz mal menstruar pouco com a pílula?
Não tem qualquer risco para a saúde, nem diminui a fertilidade (não torna mais difícil engravidar um dia mais tarde).
Significa apenas que o endométrio – o forro do útero – se tornou mais fino sob o feito da pílula. Não fica nenhum “sangue retido” como algumas mulheres ainda acreditam (“o sangue subia então à cabeça”, como se dizia antigamente...).
É até um efeito benéfico e confortável da pílula. Por isso, as pílulas são muitas vezes usadas para tratar as mulheres que perdem muito sangue na menstruação.
–Se tomar muitos anos a pílula, será que terei dificuldade em engravidar?
Não, a pílula não diminui a fertilidade, mesmo quando é feita durante muitos anos seguidos. Algumas mulheres fazem “descansos “ da pílula com a ideia errada de que a toma mantida da pílula pode diminuir a fertilidade. Não tem qualquer base cientifica.
– E se tiver uma perda de sangue pelo meio da embalagem?
Se tiver ocorrido alguma das situações que se explicaram atrás, que diminuem a eficácia da pílula, a perda de sangue deve-se muito provavelmente apenas a este facto. Deve-se manter a toma da pílula regulamente. Lembre-se que devia ter tomado cuidados contraceptivos adicionais...tomou?
Se não ocorreu nada, não deve parar a toma da pílula, mas deve procurar um médico caso a perda de sangue se mantenha ou repita.
– E se não menstruar no fim da embalagem?
Se houve alguma situação de interferência e não tomou cuidados contraceptivos extra, deve fazer um teste de gravidez. Se for negativo, recomeça-se a nova embalagem na altura prevista.
Se não aconteceu nada que interferisse com a eficácia da pílula, pode ser normal. Nalgumas pílulas mais recentes, o fluxo menstrual pode ser muito escasso ou nulo, sem problemas para a saúde da mulher. Se se sentir mais segura, pode realizar um teste de gravidez e recomeçar uma nova embalagem na altura prevista.
Diabetes e pílula combinada
As mulheres com diabetes podem fazer este tipo de pílulas. Contudo, se fumarem, surgirem hipertensão ou complicações crónicas da diabetes (de que são exemplo as alterações renais), está indicado que utilizem métodos não hormonais (o preservativo, o dispositivo intra-uterino ou a laqueação de trompas, caso não queiram ter mais filhos) ou métodos apenas com progestativo.
E não se esqueça ...
As pílulas não protegem das infecções sexualmente transmissíveis (IST). Faz por isso todo o sentido utilizar o preservativo como forma de as prevenir...mesmo que se utilize um método de contracepção seguro. A prevenção das IST é um comportamento saudável.
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