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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 52:
Os meses de Verão assistiram ao desenvolvimento e à expansão do vírus do momento, o da gripe A. O País mostrou sinais de nervosismo, os portugueses começaram a temer o pior, uma nova epidemia mortífera, na senda das que os nossos antepassados viveram noutros tempos, noutras realidades, noutros mundos.
 

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Novidades

Novidades

Novidades e perspectivas no tratamento da diabetes (1)

São grandes os esforços científicos e financeiros que se investem todos os anos, e um pouco por todo o mundo, na Investigação da Diabetes. São milhares os estudos científicos sobre a Diabetes, que se publicam anualmente. Uma grande parte destes estudos são de investigação básica (bioquímica, genética, imunológica) tentando esclarecer a (s) causa (s) da doença e das suas manifestações ou complicações clínicas. Mas são, também, múltiplos os trabalhos de investigação acerca de novas formas de tratamento da Diabetes e das suas complicações.

É usual serem divulgadas notícias sobre «novos tratamentos para a diabetes», quer nos jornais, quer na Televisão. A maioria dessas notícias, embora com um fundo de realidade, carece de rigor, e pode levar ao engano milhares de pessoas com Diabetes, criando - lhes expectativas e esperanças que, depois, vêem frustradas ao falar com o seu médico assistente.

Mesmo quando algumas novidades têm «pernas para andar», deve ter-se presente que, habitualmente, decorrem alguns anos entre a descoberta científica e a possibilidade de a aplicar na prática do dia -a -dia.

Serve, este espaço, para divulgar e ajudar a esclarecer todos os interessados, acerca das NOVIDADES E PERSPECTIVAS no tratamento da diabetes.

Insulina

Uma nova forma de administrar a insulina

É VERDADE ! Finalmente parece que se conseguiu uma alternativa credível às injecções de insulina. trata-se de administrar a insulina através de um aerossol para inalação pulmonar. Isto consegue-se utilizando um aparelho semelhante a alguns utilizados pelos asmáticos. Para já, a insulina com possibilidades de administração por esta via é só a de acção rápida. Já foram realizados estudos em pessoas com Diabetes do tipo2 que estão sob terapêutica com insulina e em pessoas com Diabetes do tipo1 (insulino-dependentes). Estes estudos compararam a acção da insulina rápida administrada pelas habituais injecções sub-cutâneas com a administrada por aerossol e os resultados foram excelentes. Claro que, para lá da grande satisfação das pessoas com Diabetes que participaram nestes ensaios e que se livraram de umas «picadelas» durante o tempo do estudo, a grande notícia é que se conseguiu um bom controlo da diabetes com esta forma de administrar a insulina. Convém, aqui, lembrar que todas as pessoas com Diabetes insulino-dependentes necessitaram de manter a sua habitual injecção de insulina de acção prolongada à noite.

É previsível que dentro de 2 a 3 anos, se os estudos mais alargados que se seguem o confirmarem, já seja possível substituir as injecções de insulina rápida antes das refeições, por uma ou duas inalações ou «bombadas» de insulina.

Outras formas de administrar a insulina?

Tentativas para a administração de insulina por outras vias têm sido, por uma razão ou por outra, frustradas. A mais estudada tem sido a administração nasal. Contudo, não existe, por enquanto, fiabilidade nos resultados obtidos com esta forma de administrar a insulina.
A via rectal (supositórios de insulina?) é, também, uma via em investigação.

A via trans-dérmica (adesivos de insulina?) não tem tido resultados promissores, até agora.
Comprimidos de insulina?

Com se sabe, não existe insulina em comprimidos. São várias as razões que limitam a absorção da insulina (uma hormona de largo peso molecular) pelo tubo digestivo (estômago ou intestino). Existe, contudo, já um processo de revestir comprimidos de modo a que a insulina não seja destruída no estômago e possa ser absorvida no intestino. O que acontece é que o processo de absorção é tão lento, tão lento que, a sua acção se torna muito prolongada (cerca de uma semana!) e difícil de controlar. A ver vamos, o que nos trará o futuro.

Bombas de Insulina

A administração de insulina através de bombas de perfusão contínua através de um pequeno catéter inserido debaixo da pele do abdómen é um tratamento que já tem mais de 20 anos mas que se tem aperfeiçoado. As bombas de hoje, muito pequenas e com electrónica e computorização aperfeiçoada são muito populares em vários países da Europa e nos Estados Unidos da América. Estas bombas têm as suas indicações e, também, riscos. Actualmente, a sua aquisição em Portugal é muito problemática. São muito caras (centenas de contos) e têm de ser encomendadas do estrangeiro. O principal problema é que a própria insulina utilizada e o restante material têm de ser, também, importados.

Recordo que estas «bombas de insulina» não são pâncreas artificiais e, por isso, é indispensável que, as pessoas com Diabetes que as utilizam, continuem a vigiar-se com glicemias capilares e ajustem a dose de insulina que é continuamente infundida.

Bombas de insulina implantadas

São bombas de insulina que se encontram implantadas debaixo da pele (à semelhança dos conhecidos pace-makers cardíacos) no abdómen e em que a insulina é administrada dentro do peritoneu, tornando o efeito da insulina mais fisiológico, isto é, mais semelhante ao que acontece no organismo não-doente.

Este método encontra-se, ainda, apenas disponível em Centros de Investigação.

Pâncreas artificial

É, já, um sonho velho. O pâncreas artificial, idealmente, deveria funcionar como uma pequena bomba, de preferência implantada no abdómen e em que a perfusão de insulina variasse, automaticamente, de acordo com os valores de glicemia do momento.

O grande desafio tem sido arranjar um sensor contínuo de glicemia fiável e, sobretudo, duradouro que não cause reacções locais do organismo. Esta é uma área de investigação muito activa há já alguns anos.

transplantes

O transplante do pâncreas é uma cirurgia que está aprovada para quem tem diabetes e, simultâneamente, já se encontra numa fase muito avançada da sua doença, em insuficiência renal crónica, e necessita, por isso, de um transplante de rim ( transplante renal ). A evolução da técnica cirúrgica e dos tratamentos para evitar a rejeição do pâncreas de outro ser humano, têm permitido já uma taxa de sucesso apreciável e, nalguns casos, pode mesmo falar-se em « cura » da diabetes.

Contudo, convém recordar que a terapêutica crónica a que têm de estar submetidos todos os doentes transplantados encerra riscos importantes, pois as defesas do organismo ficam muito diminuídas. Daí que o transplante seja, sempre, uma solução de recurso.

Em Portugal, nomeadamente, nos Hospitais da Universidade de Coimbra, existem já várias pessoas com Diabetes insuficientes renais, transplantados de rim e pâncreas.

Outros tipos de transplante têm sido ensaiados e, alguns, com êxito. Por exemplo, podem transplantar-se os ilhéus que contêm as células que produzem insulina e localizá-las no fígado, por exemplo. Existem, todavia, ainda grandes dificuldades em obter células suficientes para transplantar e em controlar todos os mecanismos de rejeição que o nosso corpo tem contra o que lhe é estranho. Assim, este tipo de terapêutica da diabetes encontra-se por enquanto e, nos anos mais próximos, restrito a alguns Centros de Investigação e experimentação.

Novas insulinas
Análogos de insulina. O que são?

Chamam-se análogos de insulina à insulina que foi modificada na sua estrutura molecular, de modo a alterar o seu perfil de acção. Isto é, modifica-se, ligeiramente a sua composição química, de modo a que, continuando a ser insulina e mantendo as suas acções principais (e a principal é baixar a glicemia…), consegue-se modificar a velocidade com que é absorvida após a injecção e, em consequência, a rapidez com que actua e o seu tempo de duração. Existem, assim, análogos de acção rápida e análogos de acção lenta. O único análogo já em utilização clínica e que já é conhecido de algus portugueses com Diabetes é a Insulina Lis-pro (nome comercial: Humalog® da casa comercial Lilly) e que é um análogo de acção rápida.

Estão já em fase muito adiantada de estudos com doentes: um análogo de acção lenta da Aventis e outro de acção rápida da Novo Nordisk.
- Insulina Lispro (HUMALOG ®) - Esta insulina tem uma acção super-rápida. Em comparação com a insulina de acção rápida habitual (Insulina regular , conhecida com os nomes comerciais de:

- Actrapid®, Insuman Rapid® e Humulin Regular® - Esta insulina tem um início de acção mais rápido (± 15 minutos) e uma duração de acção mais curta (± 3 – 4 horas). Tem, portanto, de modo genérico, uma acção mais fisiológica. A vantagem desta insulina, de acordo com as pessoas com Diabetes que a preferiram usar, após o ensaios realizados, é a de que ela é mais cómoda de utilizar, por ser mais previsível a sua acção, diminuindo as hipoglicemias após as refeições, podendo ser administrada imediatamente antes das refeições ou, inclusive, no fim destas.
A comercialização da Humalog® em Portugal tem vindo a ser adiada, aparentemente, por motivo de desacordos burocrático-financeiros.

Antidiabéticos Orais

Comprimidos para a diabetes
Os comprimidos para a diabetes têm a sua indicação no tratamento da Diabetes tipo 2 quando a dieta e o exercício físico não resultam só por si, na normalização da glicemia.

Novos antidiabéticos orais
A troglitazona ( Rezulin® ) é um medicamento cujo modo de actuar é inovador. Tem uma acção que consiste em facilitar a acção da insulina, diminuindo a resistência do organismo à sua acção. Ora este mecanismo é muito importante na fase inicial da Diabetes do tipo 2, nomeadamente nas pessoas com Diabetes com peso a mais e nos pré-diabéticos, isto é, nas pessoas com a chamada «Tolerância diminuída à glicose » ou em risco de virem a desenvolver a Diabetes.

Isto fez com que este medicamento fosse anunciado como uma terapêutica revolucionária, que permitiria evitar a diabetes, mesmo em quem não tivesse os cuidados alimentares necessários e se deixasse engordar, por exemplo.

Infelizmente, e já depois de estar a ser utilizada no tratamento da diabetes por muitos milhares de americanos e japoneses, foram relatados diversos casos de toxicidade hepática ( lesões no fígado ) que nalguns casos provocaram, mesmo, a morte em insuficiência hepática.

Assim, o início da sua comercialização na Europa foi suspenso no início deste ano (1998).

Nos países onde foi introduzida, a sua prescrição requer grandes cuidados no acompanhamento com análises frequentes ao sangue, para controlo da função hepática.

A Glimepirida ( Amaryl® ) é um medicamento da família de outros bem conhecidos dos portugueses com Diabetes: ( por exemplo: Daonil®, Euglucon® ou Diamicron® ) e cuja principal acção é ajudar o pâncreas a produzir mais insulina.

A sua principal vantagem é o de bastar uma única toma diária e, aparentemente, provocar menos hipoglicemias.

Já se encontra comercializado desde há cerca de 2 anos noutros países.

Em Portugal, a sua comercialização tem vindo a ser atrasada devido a problemas burocrático-financeiros.

Repaglinide (Prandin® ou Novonorm®) é um medicamento com uma acção inovadora pois actua estimulando o pâncreas a produzir insulina mas, com uma curta duração. Deve ser administrado antes das refeições para controlar a subida da glicemia que ocorre após as refeições. Já está comercializado nos E.U.A. desde o início deste ano. Aguarda-se a sua introdução em Portugal para breve.

A investigação no campo da terapêutica da diabetes do tipo 2 não pára. Existem muitos outros agentes a serem estudados e que poderão, mais tarde ou mais cedo, vir a ser utilizados pelas pesssoas com Diabetes.

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