Iniciativas da APDP
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| Colunista:
João Nabais-monitor do Campo de Férias;
Cristina Valadas-Coordenadora Dep. Crianças
e Jovens da APDP e do Campo de Férias 2009 |
| Revista:52 |
| Tema:
Campo de Férias da APDP-Educação
Terapêutica em ambiente não-formal |
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Educação Terapêutica em
ambiente não-formal
Este
ano teve a novidade de o campo de férias da APDP ser próximo da praia.
Aqui está a primeira dificuldade de quem está a escrever estas linhas,
o que chamar à semana educativa/pedagógica/desportiva onde 20 adolescentes,
4 jovens adultos (OK! 3 jovens e 1 “quase” jovem adulto) e a equipa
técnica constituída por duas mãos cheias de valentes e dedicadas pessoas
convivem e aprendem mutuamente? Encontros de Verão? Campo de Verão?
É certo que se passa no Verão e que a miudagem está de férias, portanto
fazem sentido as designações anteriores, mas acho que ainda não chegámos
à designação acertada. De qualquer forma temos ainda 1 ano pela frente
para aceitar sugestões…
O facto de ser próximo da praia e o facto de a maior
parte das actividades físicas terem sido realizadas na praia levou
a um esforço acrescido para mobilizar a miudagem. Como se sabe a cultura
da praia (sim ler faz bem, mesmo que sejam os jornais desportivos
em especial aqueles que trazem o Benfica na capa...) é a cultura da
toalha: chegar, estender a toalha e deitar... isso criou uma inércia
inicial maior. Contudo, quebrada essa inércia todos aderiram com entusiasmo,
alegria e, porque não dizê-lo, dedicação a todas as actividades propostas.
Podia encher estas linhas com tudo o que já se sabe
sobre esta semana. Podia dizer que o ambiente descontraído e próximo
motiva uma maior e melhor aprendizagem. Podia dizer que todos aproveitaram
ao máximo esta semana. Podia dizer que o empenho e dedicação da equipa
técnica, e aqui estou a incluir todos para além da malta com diabetes,
foram enormes para que tudo corresse bem. Podia dizer que a miudagem
adorou e todos querem repetir a experiência. Podia, mas não vou dizer
pois isso já todos sabem.
Vou
então falar nas pequenas-grandes vitórias que todos podemos presenciar
no decorrer desta semana. Pequenas porque são pequenos passos pessoais
no desconhecido e em áreas onde não se aventuravam até então. Grandes
porque estas metas são de uma importância e de uma relevância brutais
no desenvolvimento de qualquer pessoa com diabetes. Estas situações
são para nós, que pudemos assistir, e participar activamente, nestes
marcos pessoais a maior recompensa e o maior conforto que se pode
ter de uma semana intensa, onde existe uma preocupação 24 horas e
onde todos colocam muito do seu tempo e energia, a planificar, a desenvolver
as actividades e a executar todas as tarefas diárias. Irei omitir
nomes para não ser indiscreto e porque também há que zelar pela privacidade
de cada um.
Alguns pequenos exemplos de vitórias, muito significativas,
só capazes de terem sido atingidas pela envolvência criada no grupo,
pela motivação obtida a partir das palavras de incentivo de outros
jovens diabéticos com problemas semelhantes e pelos ensinamentos,
sempre sábios, da equipa de saúde (aqui está outra designação que
me desagrada... chamemos-lhe então equipa dos técnicos de saúde, muito
melhor...) que, transmitidos neste ambiente, fazem maravilhas.
Ambrósia e Miquelino não administravam insulina em
sítios do corpo, designadamente a barriga e nádegas, porque achavam
que doía e que não conseguiam chegar aos sítios. Ao segundo dia: questão
ultrapassada.
Felisberto fazia 54 unidades de L ao deitar e não
queria baixar muito… acabou a semana a fazer 26 unidades!
Deusarina, apesar de mal controlada, não queria largar
as misturas e passar para a Lantus. Agora é a chamada Lmaníaca!
Isto já para não falar na quantidade de miudagem
que não fazia a contagem dos hidratos de carbono e as contas da insulina
ultra-rápida às refeições e que passado algum tempo já as sabiam fazer
na ponta da língua, ou melhor na ponta do lápis.
Em vez de omitir totalmente ou em vez de chamar S.
ou M. optei por utilizar nomes insuspeitos de serem ligados a quem
participou, penso eu. Quem acha que estes nomes não existem pode aceder
a http://www.zecompadre.com/hum or/477/nomes-estranhos.zml e verificar
que há bem pior...
Para finalizar dizer que a miudagem deste ano tinha
entre 13 e 16 anos e que todos estavam a participar pela primeira
vez neste tipo de aventura. Este quadro, aliado à realização do campo
num sítio novo, criou expectativas e necessidades diferentes de anos
anteriores, onde a faixa etária era superior e onde havia quase sempre
alguns “repetentes”. Esta nova situação, como diria alguém: não foi
boa nem má, antes pelo contrário! Significa isto que tudo correu com
tranquilidade (como também diria alguém).
Uma última palavra para os monitores Xana, Ana, Inês
e João: Obrigado por terem partilhado parte do vosso tempo connosco
e também por serem meus amigos. Obrigado também por terem contribuído
activamente para que tudo tivesse corrido bem e pela participação
activa como educadores em diabetes. O vosso empenho, dedicação e amor
à causa foi relevante e determinante para o êxito alcançado.
João Nabais
Como coordenadora do chamado campo de férias, cabe-
-me a mim também escrever alguma coisa sobre o mesmo…
Ingrata tarefa, pois que dizer… Quando o João já
disse tudo?
Talvez partilhar com todos algumas reflexões pessoais:
Comecemos pelo nome Campo de Férias… Que nome mal
escolhido, pois, digamos que de férias tem pouco, tanto para os jovens,
que andam toda a semana numa roda-viva, entre actividades desportivas
e aprendizagens várias: como contar Hidratos de Carbono… Como pedir
o telefone àquela miúda…Como acertar a insulina da noite… Como fugir
aos monitores da camarata… como pintar as unhas “à francesa”... E
isto de férias tem pouco...
E os técnicos… Férias? Vejam a nossa cara no regresso…
Naquele momento supremo… Em que entregamos os miúdos aos pais!
Então o que faz que ano após ano, uma dezena ou mais
de adultos responsáveis, alguns com idade de se queixarem de artroses
várias e outros com idade de andar mas é a “curtir” a vida, se entusiasmem
para ir, e cumprir com um profissionalismo ímpar todas as tarefas
que lhes são pedidas durante esses dias de arrasar?
E depois, para além do profissionalismo, riem, inventam
partidas, mascaram-se, são divertidos e são sobretudo uma equipa no
sentido verdadeiro do termo, em que as tarefas são partilhadas e espontaneamente
executadas.
E se coordenar para mim, passa muito por motivar,
devo mais uma vez reflectir que esta equipa de técnicos de saúde,
monitores e profissionais de educação física, tem a maior motivação
exterior possível para ir… a noção ano após ano renovada que este
trabalho vale a pena.
Penso mesmo que todos convictamente acreditamos que
cada minuto desta semana é valioso na formação global destes jovens,
não só na aprendizagem do viver com uma doença que é crónica, mas
sobretudo na sua formação como pessoas. E é ver como se entre ajudam,
como partilham ”dicas”para resolver situações mais problemáticas,
e como às vezes são de uma sensibilidade extrema, que deixam os “cotas”
mais emotivos com uma lágrima perigosamente a espreitar.
No último dia do campo, com uma fadiga imensa, com
as emoções à “flor da pele”, com o desgaste de uma semana em que,
para o bem e para o mal, vivemos juntos… No último dia, dizia é comum
dizermos - foi o último ano, nunca mais…
Mas depois aquilo que nos move… Faz-nos voltar sempre.
Obrigado a todos por lá terem estado comigo!
Cristina Valadas
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