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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 55:
Recentemente desafiaram-me para falar dos filmes da minha vida. Não pude resistir ao convite para uma viagem muito especial ao fundo da memória, que foi também uma oportunidade para descobrir alguns segredos por detrás de alguns dos títulos mais famosos ou míticos da história do cinema. Perguntar-me-ão, afinal o que é que isto pode ter a ver com a Diabetes? Como que é que um assunto aparentemente tão superficial ou lúdico pode inspirar um Editorial numa Revista como esta? Na realidade, para um cinéfilo como eu, estas decisões foram dolorosas, custaram muito. No devido contexto, claro. Noutra dimensão, falando de coisas muito mais sérias e importantes, porque se trata da saúde e bem-estar, também os diabéticos têm que fazer opções de fundo. Decidir pôr de lado alguns prazeres excessivos de vida, para escolher um estilo de vida mais saudável. No fundo criar prioridades. Prevenir para evitar danos irreversíveis a médio prazo.

 

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Revista 52

Iniciativas da APDP


Colunista: João Nabais-monitor do Campo de Férias; Cristina Valadas-Coordenadora Dep. Crianças e Jovens da APDP e do Campo de Férias 2009
Revista:52
Tema: Campo de Férias da APDP-Educação Terapêutica em ambiente não-formal

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Educação Terapêutica em ambiente não-formal

Este ano teve a novidade de o campo de férias da APDP ser próximo da praia. Aqui está a primeira dificuldade de quem está a escrever estas linhas, o que chamar à semana educativa/pedagógica/desportiva onde 20 adolescentes, 4 jovens adultos (OK! 3 jovens e 1 “quase” jovem adulto) e a equipa técnica constituída por duas mãos cheias de valentes e dedicadas pessoas convivem e aprendem mutuamente? Encontros de Verão? Campo de Verão? É certo que se passa no Verão e que a miudagem está de férias, portanto fazem sentido as designações anteriores, mas acho que ainda não chegámos à designação acertada. De qualquer forma temos ainda 1 ano pela frente para aceitar sugestões…

O facto de ser próximo da praia e o facto de a maior parte das actividades físicas terem sido realizadas na praia levou a um esforço acrescido para mobilizar a miudagem. Como se sabe a cultura da praia (sim ler faz bem, mesmo que sejam os jornais desportivos em especial aqueles que trazem o Benfica na capa...) é a cultura da toalha: chegar, estender a toalha e deitar... isso criou uma inércia inicial maior. Contudo, quebrada essa inércia todos aderiram com entusiasmo, alegria e, porque não dizê-lo, dedicação a todas as actividades propostas.

Podia encher estas linhas com tudo o que já se sabe sobre esta semana. Podia dizer que o ambiente descontraído e próximo motiva uma maior e melhor aprendizagem. Podia dizer que todos aproveitaram ao máximo esta semana. Podia dizer que o empenho e dedicação da equipa técnica, e aqui estou a incluir todos para além da malta com diabetes, foram enormes para que tudo corresse bem. Podia dizer que a miudagem adorou e todos querem repetir a experiência. Podia, mas não vou dizer pois isso já todos sabem.

Vou então falar nas pequenas-grandes vitórias que todos podemos presenciar no decorrer desta semana. Pequenas porque são pequenos passos pessoais no desconhecido e em áreas onde não se aventuravam até então. Grandes porque estas metas são de uma importância e de uma relevância brutais no desenvolvimento de qualquer pessoa com diabetes. Estas situações são para nós, que pudemos assistir, e participar activamente, nestes marcos pessoais a maior recompensa e o maior conforto que se pode ter de uma semana intensa, onde existe uma preocupação 24 horas e onde todos colocam muito do seu tempo e energia, a planificar, a desenvolver as actividades e a executar todas as tarefas diárias. Irei omitir nomes para não ser indiscreto e porque também há que zelar pela privacidade de cada um.

Alguns pequenos exemplos de vitórias, muito significativas, só capazes de terem sido atingidas pela envolvência criada no grupo, pela motivação obtida a partir das palavras de incentivo de outros jovens diabéticos com problemas semelhantes e pelos ensinamentos, sempre sábios, da equipa de saúde (aqui está outra designação que me desagrada... chamemos-lhe então equipa dos técnicos de saúde, muito melhor...) que, transmitidos neste ambiente, fazem maravilhas.

Ambrósia e Miquelino não administravam insulina em sítios do corpo, designadamente a barriga e nádegas, porque achavam que doía e que não conseguiam chegar aos sítios. Ao segundo dia: questão ultrapassada.

Felisberto fazia 54 unidades de L ao deitar e não queria baixar muito… acabou a semana a fazer 26 unidades!

Deusarina, apesar de mal controlada, não queria largar as misturas e passar para a Lantus. Agora é a chamada Lmaníaca!

Isto já para não falar na quantidade de miudagem que não fazia a contagem dos hidratos de carbono e as contas da insulina ultra-rápida às refeições e que passado algum tempo já as sabiam fazer na ponta da língua, ou melhor na ponta do lápis.

Em vez de omitir totalmente ou em vez de chamar S. ou M. optei por utilizar nomes insuspeitos de serem ligados a quem participou, penso eu. Quem acha que estes nomes não existem pode aceder a http://www.zecompadre.com/hum or/477/nomes-estranhos.zml e verificar que há bem pior...

Para finalizar dizer que a miudagem deste ano tinha entre 13 e 16 anos e que todos estavam a participar pela primeira vez neste tipo de aventura. Este quadro, aliado à realização do campo num sítio novo, criou expectativas e necessidades diferentes de anos anteriores, onde a faixa etária era superior e onde havia quase sempre alguns “repetentes”. Esta nova situação, como diria alguém: não foi boa nem má, antes pelo contrário! Significa isto que tudo correu com tranquilidade (como também diria alguém).

Uma última palavra para os monitores Xana, Ana, Inês e João: Obrigado por terem partilhado parte do vosso tempo connosco e também por serem meus amigos. Obrigado também por terem contribuído activamente para que tudo tivesse corrido bem e pela participação activa como educadores em diabetes. O vosso empenho, dedicação e amor à causa foi relevante e determinante para o êxito alcançado.

João Nabais

Como coordenadora do chamado campo de férias, cabe- -me a mim também escrever alguma coisa sobre o mesmo…

Ingrata tarefa, pois que dizer… Quando o João já disse tudo?

Talvez partilhar com todos algumas reflexões pessoais:

Comecemos pelo nome Campo de Férias… Que nome mal escolhido, pois, digamos que de férias tem pouco, tanto para os jovens, que andam toda a semana numa roda-viva, entre actividades desportivas e aprendizagens várias: como contar Hidratos de Carbono… Como pedir o telefone àquela miúda…Como acertar a insulina da noite… Como fugir aos monitores da camarata… como pintar as unhas “à francesa”... E isto de férias tem pouco...

E os técnicos… Férias? Vejam a nossa cara no regresso… Naquele momento supremo… Em que entregamos os miúdos aos pais!

Então o que faz que ano após ano, uma dezena ou mais de adultos responsáveis, alguns com idade de se queixarem de artroses várias e outros com idade de andar mas é a “curtir” a vida, se entusiasmem para ir, e cumprir com um profissionalismo ímpar todas as tarefas que lhes são pedidas durante esses dias de arrasar?

E depois, para além do profissionalismo, riem, inventam partidas, mascaram-se, são divertidos e são sobretudo uma equipa no sentido verdadeiro do termo, em que as tarefas são partilhadas e espontaneamente executadas.

E se coordenar para mim, passa muito por motivar, devo mais uma vez reflectir que esta equipa de técnicos de saúde, monitores e profissionais de educação física, tem a maior motivação exterior possível para ir… a noção ano após ano renovada que este trabalho vale a pena.

Penso mesmo que todos convictamente acreditamos que cada minuto desta semana é valioso na formação global destes jovens, não só na aprendizagem do viver com uma doença que é crónica, mas sobretudo na sua formação como pessoas. E é ver como se entre ajudam, como partilham ”dicas”para resolver situações mais problemáticas, e como às vezes são de uma sensibilidade extrema, que deixam os “cotas” mais emotivos com uma lágrima perigosamente a espreitar.

No último dia do campo, com uma fadiga imensa, com as emoções à “flor da pele”, com o desgaste de uma semana em que, para o bem e para o mal, vivemos juntos… No último dia, dizia é comum dizermos - foi o último ano, nunca mais…

Mas depois aquilo que nos move… Faz-nos voltar sempre. Obrigado a todos por lá terem estado comigo!

Cristina Valadas

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