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"Diabetes Viver em Equilíbrio" № 55:
Recentemente desafiaram-me para falar dos filmes da minha vida. Não pude resistir ao convite para uma viagem muito especial ao fundo da memória, que foi também uma oportunidade para descobrir alguns segredos por detrás de alguns dos títulos mais famosos ou míticos da história do cinema. Perguntar-me-ão, afinal o que é que isto pode ter a ver com a Diabetes? Como que é que um assunto aparentemente tão superficial ou lúdico pode inspirar um Editorial numa Revista como esta? Na realidade, para um cinéfilo como eu, estas decisões foram dolorosas, custaram muito. No devido contexto, claro. Noutra dimensão, falando de coisas muito mais sérias e importantes, porque se trata da saúde e bem-estar, também os diabéticos têm que fazer opções de fundo. Decidir pôr de lado alguns prazeres excessivos de vida, para escolher um estilo de vida mais saudável. No fundo criar prioridades. Prevenir para evitar danos irreversíveis a médio prazo.

 

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Revista 52

Reflexão


Colunistas:Francisco do Rosário-Médico Endocrinologista da APDP
Revista: 52
Tema: Estudos trocados por miúdos


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Vale a pena insistir!

 Vamos falar hoje de um estudo publicado em 1998, fundamental para compreender a importância da motivação no combate contra o aparecimento da diabetes. Agora, que todos os números apontam para o crescimento imparável desta doença, é bom recordar os ensinamentos deste estudo e ter um pouco de esperança no futuro.

Trata-se do Finnish Diabetes Prevention Study (Estudo Finlandês de Prevenção da Diabetes). Este estudo prova dois pontos muito importantes: - Que é possível prevenir a progressão para a diabetes em doentes com excesso de peso e alterações nas análises próximas da diabetes (ou seja, “os casos perdidos”); que não basta informar as pessoas da forma de o fazer, é necessário incentivá-las, motivá-las. A arte de insistir.

O estudo incluiu 522 pessoas, com idades compreendidas entre 40 e 65 anos, todas com excesso de peso e valores de glicemia duas horas após ingerirem 75 gramas de açúcar superiores ao considerado normal, mas ainda não diabéticos. Pessoas em que é provável o aparecimento próximo de diabetes. Foram divididas em dois grupos – Um em que era dada a informação escrita acerca da alimentação e o exercício correctos; outro em que era dada esta informação através de entrevistas cara-a-cara, aulas e mesmo contacto telefónico regular (do género – já andou hoje os 45 minutos que combinámos?). Além disso, neste grupo foi estabelecido um objectivo concreto, perder 5% do peso.

Os resultados falam por si. Em apenas três anos tornou-se claro que a progressão para a diabetes era muito superior no grupo que recebera apenas a informação escrita. Por outras palavras, era possível impedir a progressão para a diabetes através de uma intervenção activa, motivadora. Procurar as pessoas e incentivá-las a agir da forma correcta tem resultados.

No entanto, o estudo esconde outras preocupações. É possível estabelecer um plano intensivo como este para cerca de 250 doentes, não é viável pô-lo em prática para toda a população. Como fazer? Talvez com a ajuda de familiares, amigos e comunidade local… Será necessário promover uma dinâmica social, sem dúvida.

Por outro lado, quando terminou o estudo, passados uns anos as pessoas estudadas foram revistas. E chegou-se a uma conclusão – Logo que cessou o programa de motivação para as práticas saudáveis, o número de novos casos de diabetes nos dois grupos aproximou-se. Ou seja, se deixar de existir motivação, os benefícios do esforço desaparecem. Talvez seja preferível dizer, como nas aulas de ginástica, insiste, insiste, é necessário insistir!

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Tuomilehto J, Lindstrom J, Erikson JG et al. Prevention of type 2 diabetes mellitus by changes in lifestyle among subjects with impaired glucose tolerance. N Engl J Med 2001;344:1343-50
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